“Não sou da UNITA, mas uma coisa é certa: o senhor Adalberto (Costa Júnior) tem um plano genuíno para o bem de Angola. O perdão pelos crimes económicos não serve para perdoar de forma selectiva, mas todos os envolvidos, e tem como objectivo acabar com o revanchismo na governação”, lê-se numa mensagem partilhada no Facebook, na qual o autor sublinha ainda que a perspectiva do líder da UNITA já teria sido defendida por Abel Chivukuvuku, actual presidente do PRA-JA.
“Muito antes de ACJ [Adalberto Costa Júnior], Abel Chivukuvuku defendia o perdão dos actores que tenham cometido corrupção no passado. Se houver dúvidas, podem consultar o que disse Dan Mozena, antigo embaixador dos EUA em Angola”, acrescentou o autor da mensagem.
Importa sublinhar que o referido conteúdo surge num contexto em que, nalguns grupos de WhatsApp, se mantém a acusação de que o líder da UNITA tem como objectivo proteger os chamados “marimbondos” através da proposta constante do seu “Pacto para a Estabilidade e Reconciliação Nacional”.
A referida acusação, entretanto, já vinha sendo feita na rede social Facebook, na véspera da apresentação pública do referido pacto, que, entre outros objectivos, prevê não a alteração da Lei Magna, mas a elaboração de uma nova Constituição consensual, bem como a criação de uma “Lei da Amnistia Global e Perpétua”, que visaria o perdão de todos os crimes económicos ocorridos no passado, sendo que, em contrapartida, os beneficiários deveriam pagar ao Estado multas correspondentes a 30% do património obtido ilegalmente.
Mas será verdade que Abel Chivukuvuku já havia defendido o perdão de actos de corrupção cometidos no passado?
Antes de responder à questão, importa sublinhar que, embora fale pouco sobre esse fenómeno nos últimos tempos, Abel Chivukuvuku, que recentemente prometeu acabar com a “corrupção e os roubos”, caso seja eleito Presidente da República em 2027, já fez inúmeras abordagens sobre a corrupção.
De acordo com registos históricos, Chivukuvuku considera que a “corrupção e os desvios” foram “quase uma questão cultural generalizada e institucionalizada” e defende que um combate “real” a esse fenómeno “acabaria com a máquina do Estado”.
Assim, Abel Chivukuvuku sempre se mostrou crítico em relação à corrupção, mas tem procurado uma abordagem menos antagónica em relação aos seus alegados autores. De acordo com os dados consultados, o político reuniu-se, de facto, com o então embaixador dos Estados Unidos da América em Angola, Dan Mozena, em Janeiro de 2010.
Num telegrama diplomático divulgado pelo WikiLeaks, plataforma fundada pelo jornalista e programador informático australiano Julian Assange e especializada na divulgação de documentos confidenciais, Abel Chivukuvuku terá manifestado o desejo de se concentrar na “reconciliação e inclusão de figuras do MPLA” num eventual Governo por si liderado, bem como de “apelar para uma amnistia pelos actos de corrupção do passado para servir de repressão à corrupção no futuro”.
Além da questão da corrupção, os registos enviados pelo então embaixador para Washington indicam que Abel Chivukuvuku terá informado o diplomata norte-americano de que deixaria a UNITA caso fosse impedido de concorrer à presidência do partido no congresso de 2011, acrescentando que, nessa eventualidade, lideraria uma coligação.
Segundo os mesmos registos, Abel Chivukuvuku estava convicto de ser o homem certo para liderar a renovação da UNITA e galvanizar o eleitorado. Na ocasião, sustentou ainda que o partido, sob a liderança de Isaías Samakuva, se tinha tornado num “actor com pouco significado” na política angolana e que havia perdido a sua visão e a fé na possibilidade de alcançar a vitória.
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Avaliação do Polígrafo África:






