“Todos vocês viram as caixas térmicas a circularem. Essas imagens são autênticas, para não dizer só reais. Um político da dimensão do ‘mano’ Abel, só mesmo em Angola e em África é que lhe legalizam um partido; na Europa estaria preso. Aquilo é corrupção muito activa. Aliás, em França, Nicolas Sarkozy foi julgado; em Portugal, José Sócrates foi arguido. O que se passou com o ‘mano’ Abel é dos maiores escândalos políticos fora do MPLA. Temos de saber escolher”, afirmou Adriano Sapiñala, durante uma intervenção num evento em França, para o qual foi convidado.
Em comparação, o secretário provincial da UNITA em Luanda referiu que, no seu partido, os militantes seguem um projecto político, que, segundo disse, se circunscreve no Muangai, ao contrário do que sucede no PRA-JA, cujos membros, alegadamente, seguem apenas a figura de Abel Chivukuvuku.
A reacção foi imediata. Para além de vários militantes do PRA-JA terem condenado individualmente as declarações de Adriano Sapiñala, o partido emitiu um comunicado informando que Abel Chivukuvuku accionou o seu advogado para apresentar uma queixa junto dos tribunais.
“Face à forma como tais declarações foram proferidas e à sua ampla disseminação em vídeo nas redes sociais, não restam dúvidas de que o cidadão Adriano Abel Sapiñala agiu de má-fé, com linguagem de ataque pessoal, ódio declarado e premeditação (…). Nestes termos, o partido comunica à opinião pública nacional e internacional que o cidadão Abel Epalanga Chivukuvuku instruiu o seu advogado a intentar a correspondente acção judicial contra o cidadão Adriano Abel Sapiñala, visando a reposição da verdade, a defesa do bom nome e a salvaguarda da dignidade da pessoa humana”, lê-se no comunicado do Secretariado-Geral do PRA-JA.
Para a organização liderada por Abel Chivukuvuku, o posicionamento de Sapiñala “não contribui para o fortalecimento da democracia nem para a elevação do debate político em Angola”, desviando o foco das reais preocupações dos cidadãos e fragilizando a confiança nas instituições.



