“O nosso maior credor é a China. Embora vá diminuindo, existem outros credores. Há países como a Grã-Bretanha [Reino Unido], que têm vindo a aumentar o seu peso em termos de financiamento à nossa economia.”
A declaração foi proferida por Afonso Malaca na mais recente edição do programa Debate Livre, subordinado ao tema “Desafios e Perspectivas da Economia Angolana”.
Ao longo do debate, o economista considerou “pouco assertiva” a decisão do Governo de recorrer sistematicamente à dívida para tornar o OGE “exequível” ano após ano. Defendeu, por isso, uma previsão orçamental assente num “valor mais baixo, mais realista e mais bem definido”.
“Quando contraímos dívidas, temos de saber exactamente para que fins o estamos a fazer, que tipo de investimento está a ser realizado e se faz sentido assumir uma dívida dessa dimensão”, afirmou, sublinhando ainda que a dívida pública angolana está maioritariamente denominada em dólares norte-americanos.
Mas será verdade que a China é o maior credor de Angola?
A afirmação do economista não é inteiramente rigorosa. Embora a China tenha ocupado durante vários anos o primeiro lugar na lista dos principais credores de Angola, desde o primeiro semestre de 2025 deixou de ser o país a quem o Estado angolano mais deve.
De acordo com as estatísticas da dívida externa por país, divulgadas pelo Banco Nacional de Angola (BNA), até ao terceiro trimestre do ano passado o Reino Unido passou a assumir a posição de maior credor de Angola, com um stock da dívida avaliado em 15,4 mil milhões de dólares.
A China surge actualmente em segundo lugar, com um montante estimado em 13,8 mil milhões de dólares, enquanto as organizações internacionais ocupam a terceira posição, com créditos avaliados em cerca de 5,1 mil milhões de dólares.
No cômputo geral, desde o início do mandato do Presidente João Lourenço, em 2017, até ao primeiro semestre de 2025, o Executivo reduziu a dívida externa com a China de 23,2 mil milhões de dólares para os actuais 13,6 mil milhões de dólares.
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Avaliação do Polígrafo África:


