O primeiro jornal lusófono
de Fact-Checking

Angola. Bastonária da Ordem dos Médicos ficou três anos sem convocar eleições e violou estatutos?

Sociedade
O que está em causa?
Na próxima sexta-feira, 5 de Setembro, a Ordem dos Médicos de Angola (ORMED) vai eleger o novo bastonário para o triénio 2025-2028. Quatro candidatos disputam a sucessão de Elisa Gaspar: Pedro da Rosa, Eurídice Xongolola, Jovita André e Manuela Sande. Contudo, à medida que a campanha avança, volta à tona uma polémica: a alegada falta de convocação de eleições durante três anos, em violação dos estatutos da instituição.

A corrida eleitoral tem sido marcada por polémicas e críticas. No mês passado, a comissão eleitoral alertou o facto de cerca de 80% dos médicos inscritos corriam o risco de não votar devido à falta de pagamento de quotas. Especialistas contestaram de imediato o critério de exclusão, lembrando que, segundo os estatutos, só perde o direito de voto o médico que esteja “mais de um ano sem pagar quotas e que, após notificação, não regularize a situação no prazo de três meses”.

As tensões agravaram-se depois de uma entrevista concedida por Elisa Gaspar à Rádio Essencial. As suas declarações, sobretudo em torno da morte do médico Sílvio Dala, geraram forte indignação nas redes sociais, com acusações de falta de empatia. Nos grupos de WhatsApp, surgiram críticas à sua liderança e questionamentos sobre a legitimidade da bastonária, acusada de “estar há três anos sem convocar eleições” e de “violar os estatutos”.

Mas será verdade?

Sim. Os registos oficiais confirmam que Elisa Gaspar foi eleita em 2019, com 45,5% dos votos e uma taxa de abstenção de 71%, para um mandato de três anos (2019-2022). De acordo com o artigo 18.º dos estatutos da ORMED, “o mandato dos órgãos eleitos é de três anos, podendo os seus membros, no todo ou em parte, ser reeleitos, por mais um único mandato”. Ou seja, as eleições para um novo mandato deveriam ter sido convocadas em 2022.

Contrariando essa obrigação estatutária, a Ordem dos Médicos ficou três anos sem realizar eleições. Apenas agora, em 2025, foi convocado o escrutínio que irá definir a liderança da instituição para o triénio 2025-2028.

__________________________________

Avaliação do Polígrafo África:

 

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque