De acordo com a nota a que o Polígrafo África teve acesso, os títulos de dívida internacionais registaram uma procura 37,5% acima do montante inicialmente previsto. No total, o livro de ordens atingiu os 4 mil milhões de dólares (cerca de 3,6 biliões de kwanzas).
No comunicado, o MINFIN refere que a emissão foi estruturada como uma operação integrada de gestão de passivos, combinando a recompra de dois Eurobonds em circulação com a emissão de novos instrumentos de dívida com maturidades em 2031 e 2037, e taxas de juro fixadas em 8,25% e 9,5%, respectivamente.
“A mobilização destes recursos reforça a capacidade de intervenção do Estado em duas frentes essenciais. Por um lado, permite melhorar o perfil da dívida, reduzindo os riscos de refinanciamento e equilibrando o calendário de maturidades. Por outro, assegura suporte à execução orçamental, garantindo a continuidade das prioridades definidas no Orçamento Geral do Estado, conforme previsto no Plano Anual de Endividamento 2026”, lê-se no documento da instituição liderada por Vera Daves.
Segundo o Ministério das Finanças, a nova emissão reforça o posicionamento de Angola nos mercados financeiros internacionais, consolidando a sua “curva de rendimentos” e aprofundando a relação com a base de investidores internacionais.
Recorde-se que esta é a segunda emissão de Eurobonds realizada pelo país em 2026, depois de, em Março, Angola ter captado 2,5 mil milhões de dólares (cerca de 2,2 biliões de kwanzas), montante 25% acima do inicialmente pretendido.
País entrou no mercado de Eurobonds em 2015
A presença de Angola no mercado de Eurobonds começou em 2015, com uma emissão inaugural no valor de 1,5 mil milhões de dólares.
Em 2018, o país reforçou o seu posicionamento com duas operações: a primeira, no montante de 1,75 mil milhões de dólares, com uma taxa de juro de 8,25%; e a segunda, no valor de 1,25 mil milhões de dólares, com uma taxa de 9,38%. No total, as duas operações mobilizaram 3 mil milhões de dólares, incluindo emissões com maturidades mais longas.
Entre 2019 e 2021, segundo o MINFIN, foi “adoptada uma abordagem mais estruturada da dívida, com a definição de uma estratégia de médio prazo e emissões que totalizaram 3,5 mil milhões de dólares”.
Já no período entre 2022 e 2024, “destacou-se o reforço da gestão activa da dívida, incluindo a emissão de 2022 e operações de recompra, que permitiram melhorar o perfil de maturidade”.


