Numa das mensagens que circula no WhatsApp, publicada 42 horas após a divulgação do relatório, lê-se: “América voltou. Contrariamente à omissão de Joe Biden, por causa da amizade com João Lourenço e do seu interesse no petróleo e no Corredor do Lobito, os EUA de Donald Trump colocaram hoje Angola na lista dos países mais violadores dos direitos humanos no mundo.”
O relatório, que se refere a ocorrências registadas em 2024, menciona relatos “confiáveis de assassinatos arbitrários ou ilegais; tratamento ou punição cruel, desumana ou degradante; prisão ou detenção arbitrária; sérias restrições à liberdade de expressão e à liberdade da comunicação social, incluindo ameaças de violência contra jornalistas, detenções ou processos injustificados contra jornalistas, censura e (…) proibição de sindicatos independentes ou restrições significativas e sistemáticas à liberdade de associação dos trabalhadores”.
A Televisão Pública de Angola (TPA)) é igualmente citada como órgão que favorece o partido no poder, acusação que, segundo o documento, é partilhada pela maioria dos partidos da oposição, com a UNITA à cabeça.
Mas será verdade que a aproximação entre João Lourenço e Joe Biden levou os EUA a ignorar violações de direitos humanos em Angola?
Os factos indicam que não. Logo no início do relatório publicado na terça-feira, o Departamento de Estado, actualmente liderado por Marco Rubio, refere expressamente que “não houve mudanças significativas na situação dos direitos humanos em Angola”.
Além disso, como é possível confirmar em diversos registos de 2024 — ano em que João Lourenço foi recebido na Casa Branca por Joe Biden —, o Departamento de Estado reportou casos de violação dos direitos humanos, criticando, tal como no relatório de 2025, a persistência do controlo estatal sobre vários órgãos de comunicação social.
Também em 2022, o relatório relativo a 2021 elencou várias violações de direitos humanos, embora tenha apontado melhorias na actuação das instituições estatais, nomeadamente na abertura de processos contra agentes da polícia envolvidos em abusos.
Conclui-se, deste modo, que é falsa a alegação de que a Administração Biden tenha omitido denúncias de violações de direitos humanos em Angola devido à proximidade entre os dois chefes de Estado. Os relatórios oficiais norte-americanos continuaram a registar e a criticar essas práticas durante o período em questão.
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Avaliação do Polígrafo África:





