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Aproximação entre João Lourenço e Joe Biden inibiu EUA na denúncia de violações de direitos humanos em Angola?

Política
O que está em causa?
O Departamento de Estado dos EUA tornou público, no dia 12 de Agosto, o seu relatório anual sobre direitos humanos no mundo, no qual são descritas situações críticas relativas a Angola. A divulgação do documento tem suscitado comparações nas redes sociais, onde alguns internautas acusam a Administração Biden de ter feito vista grossa às violações cometidas pelo Governo angolano.

Numa das mensagens que circula no WhatsApp, publicada 42 horas após a divulgação do relatório, lê-se: “América voltou. Contrariamente à omissão de Joe Biden, por causa da amizade com João Lourenço e do seu interesse no petróleo e no Corredor do Lobito, os EUA de Donald Trump colocaram hoje Angola na lista dos países mais violadores dos direitos humanos no mundo.”

O relatório, que se refere a ocorrências registadas em 2024, menciona relatos “confiáveis de assassinatos arbitrários ou ilegais; tratamento ou punição cruel, desumana ou degradante; prisão ou detenção arbitrária; sérias restrições à liberdade de expressão e à liberdade da comunicação social, incluindo ameaças de violência contra jornalistas, detenções ou processos injustificados contra jornalistas, censura e (…) proibição de sindicatos independentes ou restrições significativas e sistemáticas à liberdade de associação dos trabalhadores”.

A Televisão Pública de Angola (TPA)) é igualmente citada como órgão que favorece o partido no poder, acusação que, segundo o documento, é partilhada pela maioria dos partidos da oposição, com a UNITA à cabeça.

Mas será verdade que a aproximação entre João Lourenço e Joe Biden levou os EUA a ignorar violações de direitos humanos em Angola?

Os factos indicam que não. Logo no início do relatório publicado na terça-feira, o Departamento de Estado, actualmente liderado por Marco Rubio, refere expressamente que “não houve mudanças significativas na situação dos direitos humanos em Angola”.

Além disso, como é possível confirmar em diversos registos de 2024 — ano em que João Lourenço foi recebido na Casa Branca por Joe Biden —, o Departamento de Estado reportou casos de violação dos direitos humanos, criticando, tal como no relatório de 2025, a persistência do controlo estatal sobre vários órgãos de comunicação social.

Também em 2022, o relatório relativo a 2021 elencou várias violações de direitos humanos, embora tenha apontado melhorias na actuação das instituições estatais, nomeadamente na abertura de processos contra agentes da polícia envolvidos em abusos.

Conclui-se, deste modo, que é falsa a alegação de que a Administração Biden tenha omitido denúncias de violações de direitos humanos em Angola devido à proximidade entre os dois chefes de Estado. Os relatórios oficiais norte-americanos continuaram a registar e a criticar essas práticas durante o período em questão.

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Avaliação do Polígrafo África:

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