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Arranca hoje o congresso da UNITA que deverá eleger o novo presidente

Política
O que está em causa?
Arranca hoje, sexta-feira, 28, o congresso de três dias da UNITA, realizado sob o lema “Unidos para Alternância, Estabilidade e Desenvolvimento”.

Adalberto Costa Júnior, que procura a reeleição, e Rafael Massanga Savimbi, que concorre pela primeira vez ao cargo de presidente do maior partido da oposição angolana, confrontaram-se ontem perante os delegados ao congresso, apresentando cada um os pontos fortes da sua moção e as razões pelas quais deve ser eleito em detrimento do outro.

Nas redes sociais, embora os militantes que apoiam Rafael Massanga Savimbi tenham reduzido o tom das críticas dirigidas a Adalberto Costa Júnior, sobretudo após a suspensão de duas figuras de peso da candidatura de Massanga, o Movimento de Resgate, composto por militantes no activo, suspensos e expulsos da UNITA, intensificou as críticas à actual liderança. O grupo acusa Costa Júnior de ter voltado a violar os Estatutos do partido, alegando que este convocou irregularmente uma reunião da Comissão Política. Segundo os queixosos, os documentos reitores da organização não permitem ao presidente cessante convocar uma reunião daquele órgão deliberativo.

Já os apoiantes de Adalberto Costa Júnior mantêm-se em silêncio quanto à denúncia, mas manifestam “firme convicção” de que o seu candidato será reeleito.

De referir que, na história democrática da UNITA, este é, comparativamente a congressos anteriores, o que se realiza sob maior tensão. Embora o XIII Congresso, realizado em 2019, tenha sido anulado pelo Tribunal Constitucional em 2021, na sequência de um requerimento de alguns militantes, esse conclave decorreu sem os níveis de ataques à integridade moral e à vida privada que actualmente se registam.

Vários quadros do partido têm-se manifestado publicamente contra a actual administração, acusando o presidente de desvio financeiro e de associação a grupos economicamente influentes e suspeitos de terem delapidado o erário. A direcção partidária, contudo, considera muitos destes militantes como instrumentos pagos pelo MPLA para desestabilizar a organização.

Face ao clima de crispação, há quem duvide que a UNITA, independentemente de quem vença o pleito, saia deste congresso mais fortalecida.

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