Nas imagens vê-se um indivíduo que aparenta ser angolano (desde logo pelo respetivo boné que tem as cores e o símbolo da bandeira nacional de Angola), em protesto na rua de uma cidade, gritando ao megafone:
“Contra o Governo português que está a fazer vista grossa a esta situação. Então nós não nos podemos calar, viemos aqui, estamos chateados com essa situação. E vamos deixar já aqui um comunicado ao Governo português. Ou vocês resolvem isso com máxima urgência, ou então as coisas vão ficar feias.”
Na maior parte das publicações do vídeo nas redes sociais aponta-se que retrata um “protesto em frente à residência oficial de Luís Montenegro”, o Primeiro-Ministro de Portugal. Ou seja, junto ao Palacete de São Bento, em Lisboa.
Mas também há variações em que se acrescentam novos elementos à história. “A comunidade imigrante de Angola fez uma manifestação em frente à residência oficial do Primeiro-Ministro e ameaçou a segurança interna de Portugal. O porta-voz angolano afirmou que as coisas ficarão ‘feias’ caso bloqueiem a sua entrada em Portugal”, refere-se num tweet associado a outras publicações do mesmo vídeo.
Através de ferramentas de análise das imagens, porém, verificamos que o vídeo não foi captado em frente à residência oficial do Primeiro-Ministro Luís Montenegro, nem sequer em Lisboa ou Portugal.
Na realidade foi captado em Londres, Reino Unido, no dia 28 de Junho, retratando um breve momento de uma manifestação em solidariedade para com Maria Luemba e clamando por justiça. Mais precisamente junto à Embaixada de Portugal em Londres, situada em Belgrave Square.
Nesse mesmo dia realizou-se o funeral de Maria Luemba, jovem angolana de 17 anos de idade que foi encontrada morta, com uma corda ao pescoço e um golpe visível na mesma zona, em Sever do Vouga, Portugal, no dia 12 de Junho. A Procuradoria-Geral da República anunciou entretanto a abertura de um inquérito para investigar o sucedido naquela vila do distrito de Aveiro.
Além de o vídeo não ter sido captado em frente à residência oficial do Primeiro-Ministro de Portugal, várias publicações acrescentam mais falsidades. Como a alegação de que terá ameaçado a “segurança interna de Portugal” no caso de bloquearem “a sua entrada” no país, algo que não consta no vídeo original, mais extenso, gravado na referida manifestação de Londres.
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Avaliação do Polígrafo:





