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Assembleia Nacional rescindiu contrato com a Clínica Sagrada Esperança após mortes de deputados?

Saúde
O que está em causa?
Um documento de rescisão de contrato, posto a circular nas redes sociais e cuja autoria é atribuída à Assembleia Nacional, anuncia o fim da parceria com a Clínica Sagrada Esperança no âmbito da assistência médica aos deputados. A divulgação do documento tem sido interpretada como uma manifestação de repúdio fece às recentes mortes de deputados da UNITA naquela unidade de saúde.

“Depois de vários deputados da UNITA terem ido a óbito na Clínica Sagrada Esperança, a Assembleia Nacional decidiu rescindir o contrato com a referida clínica, no que concerne à assistência médica e medicamentosa aos agentes parlamentares”, lê-se numa publicação partilhada no Facebook, acompanhada da imagem de uma nota que é apresentada como sendo da Assembleia Nacional.

A narrativa segundo a qual a decisão estaria relacionada com as mortes de deputados da UNITA ganhou força, particularmente porque a circulação do documento coincide com a morte do deputado Diamantino Mussokola, ocorrida no dia 13 do corrente mês, naquela clínica.

De facto, não é a primeira vez que um deputado da UNITA morre sob cuidados médicos na Clínica Sagrada Esperança. Em 2021, faleceu naquela unidade hospitalar Raul Danda, antigo vice-presidente da UNITA e quarto candidato mais votado nas eleições internas do partido em 2019.

Contudo, não são apenas parlamentares da UNITA que perderam a vida na mesma instituição de saúde. Em 2020, Mendes Bartolomeu, antigo deputado do MPLA, partido no poder, também faleceu na Clínica Sagrada Esperança.

Mas será verdade que o Parlamento decidiu rescindir o contrato com a Clínica Sagrada Esperança em consequência das mortes de deputados da UNITA?

Contactado pelo Polígrafo África, o Departamento de Comunicação Institucional da Assembleia Nacional confirmou a autenticidade do documento que circula nas redes sociais, mas rejeitou categoricamente a narrativa que lhe tem sido atribuída.

De acordo com a explicação fornecida, a Assembleia Nacional procedeu à cessação do contrato de assistência directa com a Clínica Sagrada Esperança, substituindo-o por um regime de seguro de saúde contratado para os deputados e demais funcionários. A Clínica Sagrada Esperança continua, contudo, integrada na rede de unidades médicas convencionadas ao abrigo das apólices de seguro, pelo que os parlamentares podem, se assim o entenderem, continuar a recorrer aos seus serviços.

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Avaliação do Polígrafo África:

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