O clima de incerteza que antecedeu os quartos de final começou a dissipar-se após autênticas “operações de alta complexidade” no segundo mata-mata da 35.ª edição da maior prova de futebol africano ao nível de selecções.
Entre as grandes dúvidas que marcaram os quatro jogos da fase anterior estavam a possibilidade de surgir um estreante (Mali) na galeria de campeões do CAN e a hipótese de o vencedor da edição anterior (Costa do Marfim) conseguir revalidar o título. Ambas as incógnitas foram desfeitas, depois de Mali e Costa do Marfim, as “Águias” e os “Elefantes”, terem sido eliminados nos quartos de final, diante do Senegal e do Egipto, respectivamente.
Ainda assim, o enredo dos recordes e dos jejuns históricos está longe de chegar ao fim. Esta quarta-feira, 14 de Janeiro, arrancam as meias-finais do CAN. Depois de ultrapassarem o antepenúltimo obstáculo, Egipto (Faraós), Nigéria (Super Águias), Senegal (Leões de Teranga) e Marrocos (Leões do Atlas) entram em campo determinados a escrever um novo capítulo na história do futebol africano, com a conquista do 35.º título continental.
De acordo com o palmarés da Confederação Africana de Futebol (CAF), duas selecções, Marrocos e Senegal, procuram o bicampeonato, enquanto outras duas, Egipto e Nigéria, tentam pôr fim a um jejum de títulos que já ultrapassa uma década.
Apesar de os dois “Leões” perseguirem o ‘bis’, é Marrocos quem carrega maior pressão. Os anfitriões não conquistam o CAN há mais de 50 anos (1976), jogam em casa e atravessam um dos melhores momentos da sua história futebolística: o histórico quarto lugar no Mundial do Qatar 2022, a melhor classificação de sempre de uma selecção africana, a inédita conquista do Mundial Sub-20 no Chile, no ano passado, e a recente vitória na Taça Árabe. Depois de afastarem os Camarões por 2-0 nos quartos de final, os Leões do Atlas terão de ultrapassar, esta noite, as Super Águias da Nigéria, no Estádio Prince Moulay Abdellah, para manter vivo o sonho do título.
Já os Leões de Teranga, que venceram o Mali por 1-0, enfrentam o Egipto no primeiro jogo do dia, na tentativa de erguer o segundo troféu da sua história, um feito que lhes escapa há quatro anos. Curiosamente, o Senegal conquistou o seu primeiro e único título do CAN precisamente frente aos egípcios, em 2022, vencendo os Faraós por 4-2 no desempate por grandes penalidades.
Os “papões” do futebol africano, o Egipto, medem forças com o Senegal com os olhos postos na conquista do oitavo título continental. No entanto, os Faraós não levantam o troféu há quase duas décadas. A última vez que venceram o CAN foi em 2010, na edição disputada em Angola.
Com um jejum de 12 anos, a Nigéria ambiciona, “a ferro e fogo”, conquistar o seu quarto título, depois dos triunfos em 1980, 1994 e 2013. Para isso, as Super Águias terão de superar a selecção anfitriã. A memória recente não é a melhor para os nigerianos: na última edição, perderam a final por 2-1 frente à Costa do Marfim, também país organizador. Ainda assim, há uma tradição que joga a favor da Nigéria: desde 2000, apenas três selecções conseguiram vencer o CAN em casa: Tunísia (2004), Egipto (2006) e Costa do Marfim (2024).

