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Censo 2024. Cerca de 40% da população de Malanje é analfabeta

Sociedade
O que está em causa?
Mais de um terço (38,3%) da população residente na província de Malanje é analfabeta, indicam dados do Recenseamento Geral da População e Habitação 2024, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Isto significa que, em cada 100 habitantes da província, cerca de 40 não sabem ler nem escrever.

O relatório do INE referente à província de Malanje, divulgado na última sexta-feira, 20 de Fevereiro, revela que, apesar do número ainda elevado de população iletrada naquela região do norte de Angola, registou-se uma redução expressiva da taxa de analfabetismo face a 2014, quando ultrapassava metade da população (62%). Trata-se de uma diminuição de 24 pontos percentuais.

Os dados mostram, por outro lado, um crescimento da taxa de alfabetização na chamada “terra da Palanca Negra Gigante” ao longo da última década. Globalmente, a percentagem de população que sabe ler e escrever em Malanje fixou-se em 62,7% no Censo 2024. Em termos práticos, em cada 100 residentes na província, cerca de 63 são alfabetizados. Em comparação com 2014, o relatório aponta para um aumento de 14 pontos percentuais, uma vez que, há 10 anos, apenas 48% da população sabia ler e escrever.

De acordo com o gráfico sobre a alfabetização na província de Malanje, consultado pelo Polígrafo África, verifica-se uma diferença significativa entre os meios urbano e rural. No meio urbano, a taxa de residentes que sabem ler e escrever é de 78,6%, enquanto 21,4% são analfabetos.

Já nas zonas rurais da província, o cenário é mais preocupante: apenas 42,2% da população é alfabetizada, ao passo que mais de metade (57,8%) dos residentes nestas áreas não sabe ler nem escrever.

Ao nível municipal, Malanje (80,9%), Quêssua (78,5%) e Cacuso (68,1%) apresentam as taxas de alfabetização mais elevadas da província, o que poderá estar associado à maior concentração de infra-estruturas educativas, melhor acesso ao ensino e maior dinamismo socioeconómico, segundo o relatório do INE.

Em sentido inverso, Quihuhu (26,3%), Cambo Suinginge (23,6%) e Capunda (17,7%) registam as taxas de alfabetização mais baixas. O documento sugere que estes resultados podem estar relacionados com a predominância de população rural, limitações no acesso às escolas, dispersão geográfica das comunidades e menores níveis de investimento no sector da educação.

Segundo o processo censitário de 2024, a província de Malanje tem uma população estimada em 1,2 milhões de habitantes, dos quais 638,3 mil (49,2%) são homens e 659,8 mil (50,8%) são mulheres.

A nível nacional, a taxa de alfabetização fixou-se em 72,6%, sendo mais elevada entre os homens (79,6%) do que entre as mulheres (66%), de acordo com o relatório do INE.

 

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