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Chefes de Estado designados pela União Africana autorizam Angola a iniciar processo de diálogo sobre a RDC

Política
O que está em causa?
Reunidos em Luanda, sob a presidência do Chefe de Estado angolano, João Lourenço, os Presidentes da República Democrática do Congo (RDC), do Conselho da República Togolesa e da Nigéria, este último em representação dos cinco ex-Chefes de Estado designados pela União Africana como Facilitadores do Processo de Paz para Kinshasa, decidiram conferir a Angola o “mandato para iniciar consultas com todas as partes congolesas interessadas, com vista à criação de condições para a realização do diálogo intercongolês”, com o objectivo de fazer face à contínua instabilidade no país.

A decisão consta de um comunicado tornado público ao início da noite de segunda-feira, dia 9, após a reunião realizada no Palácio da Cidade Alta. No encontro participaram João Lourenço, na qualidade de Presidente em exercício da União Africana; o Presidente da RDC, Félix Antoine Tshisekedi Tshilombo; o Presidente do Conselho da República Togolesa e mediador da União Africana, Faure Gnassingbé; bem como Olusegun Obasanjo, antigo Presidente da Nigéria, presente em representação dos cinco ex-Chefes de Estado designados como Facilitadores do Processo de Paz para a RDC.

No primeiro ponto do comunicado, os responsáveis políticos africanos apelaram às partes em conflito na RDC para declararem um cessar-fogo, a entrar em vigor em data e hora a acordar, tendo igualmente encorajado a aplicação dos mecanismos de verificação do cessar-fogo acordados em Doha, a 14 de Outubro do ano transacto.

Para além do cumprimento dos acordos rubricados em Doha, os estadistas recordaram às partes envolvidas, nomeadamente à RDC e ao Ruanda, as “decisões tomadas ao abrigo do Acordo de Washington, de 4 de Dezembro de 2025, e das Resoluções 2773 (2025) e 2808 (2025) do Conselho de Segurança das Nações Unidas”, relativas à retirada das tropas ruandesas do território congolês e à neutralização das Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR) por parte do Governo de Kinshasa.

Refira-se que, apesar da mediação do Presidente norte-americano, as mortes continuam na RDC, sendo o Movimento 23 de Março (M23), apoiado pelo Ruanda, apenas um dos actores envolvidos no conflito.

Embora os mediadores internacionais mantenham o foco no M23 e no Ruanda, o país liderado por Tshisekedi enfrenta outras ameaças. Segundo noticiou o Correio da Kianda, no passado sábado, dia 7, pelo menos 18 civis foram mortos num ataque atribuído a rebeldes das Forças Democráticas Aliadas (ADF), na localidade de Mambimbi/Isigo, grupo Bapakombe, sector de Bapere, território de Lubero, província de Kivu do Norte.

De acordo com os relatos, os rebeldes não pouparam crianças nem mulheres, tendo ainda incendiado várias residências.

 

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