“Vimos o que aconteceu na Tanzânia, onde houve uma campanha completamente negacionista dos direitos da democracia e da transparência. Eu vou aplaudir este tipo de prática? Quantas pessoas morreram? É preciso que as organizações internacionais comecem a punir, porque as africanas não têm coragem, porque têm a ideia de fazer a mesma coisa (…). A Commonwealth decretou sanções”, referiu Adalberto Costa Júnior numa extensa entrevista ao Novo Jornal, entretanto publicada em duas edições.
O líder da UNITA afirmou ainda ter recebido com satisfação a resolução do Parlamento Europeu sobre o que “aconteceu no Uganda”, concluindo que o país “não realizou eleições transparentes” e que o regime saído do pleito eleitoral de 2026 “não é legítimo nem democrático”.
“É preciso que sejam as organizações de fora. A União Africana não viu o espancamento da mulher do candidato [da oposição no Uganda], não viu os militares violarem os limites da privacidade, não viu o exército decretar uma caça ao homem contra um candidato presidencial?”, questionou Adalberto Costa Júnior, numa crítica directa a João Lourenço, que presidiu à União Africana no período de 2025 até Fevereiro de 2026.
Mas será verdade que a Commonwealth sancionou a Tanzânia?
Antes de responder à questão, importa sublinhar que a Commonwealth, liderada pelo Rei do Reino Unido, Charles III, é uma organização composta por 56 países espalhados por diversos continentes, na sua maioria com algum laço histórico, político ou cultural com o Reino Unido.
Face à sua importância na arena política internacional, o Presidente João Lourenço manifestou, em 2018, o desejo de Angola aderir à referida organização. Pouco tempo depois, Boris Johnson, então ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, anunciou a formalização do pedido de adesão de Angola ao organismo.
Quanto à afirmação de Adalberto Costa Júnior, importa esclarecer que a Commonwealth decidiu, através do seu Grupo de Acção Ministerial, órgão responsável por lidar com violações graves ou persistentes dos valores políticos fundamentais da organização, sobretudo no que diz respeito à democracia, aos direitos humanos e ao Estado de Direito, colocar a Tanzânia em “regime de observação”.
A medida representa uma das mais severas repreensões dirigidas ao país nos últimos anos por parte da organização.
A decisão foi tomada durante a 71.ª reunião virtual do grupo, realizada a 6 de Dezembro de 2025.
Importa referir que, numa posição distinta, o Presidente João Lourenço felicitou Samia Suluhu Hassan pela reeleição e manifestou o desejo de reforçar a cooperação entre Angola e a Tanzânia.
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Avaliação do Polígrafo África:


