“Nós fomos classificados internacionalmente como um dos países mais corruptos do mundo”, afirmou o engenheiro e militante do partido dos “camaradas”, na última edição do espaço Essencial Entrevista, transmitido a 28 de Abril.
Durante a entrevista, António Venâncio, o militante que quis colocar à prova João Lourenço no Congresso do MPLA de 2021 e que já manifestou a intenção de fazê-lo no conclave de Dezembro de 2026, reconheceu que foram realizadas “coisas boas” nesses pouco mais de meio século de governação do MPLA, embora tenha sublinhado que a balança pesa mais para o lado dos “erros cometidos” do que para o que deveria ter sido feito bem.
O engenheiro considerou, por outro lado, o programa de combate à corrupção desenvolvido pelo Executivo angolano um “falhanço”, tendo lamentado também o facto de o país ainda ter um número elevado de angolanos a passarem fome e sem acesso a serviços “básicos”.
“Nesse momento temos milhões de angolanos a passar fome. Passar fome não é pobreza, é passar fome mesmo, bom, miséria. Nós não temos água para uma grande parte da nossa população. Não conseguimos diversificar a economia, nem mesmo a bandeira da corrupção, há muitas críticas em volta disso e nós mesmo aqui dentro também reconhecemos que falhamos bastante no combate da corrupção”, referiu o militante dos “camaradas”.
Quanto à vida interna do partido, António Venâncio destacou o facto da abertura a múltiplas candidaturas no Congresso aprazado para Dezembro do ano em curso, manifestando confiança num desfecho favorável da sua intenção de chegar à presidência do MPLA, contrariamente ao “chumbo” sofrido há seis anos.
Mas será verdade que Angola já foi classificado como um dos países mais corruptos do mundo?
A resposta é sim. Em 2015, dois anos antes de o país registar a transição de Chefe de Estado, com a saída de José Eduardo dos Santos e a entrada de João Lourenço, Angola figurou entre os seis Estados mais corruptos do mundo, ocupando a 163.ª posição num total de 168 nações referenciadas no Índice de Percepção da Corrupção, produzido pela organização Transparência Internacional.
De acordo com o relatório, o país ficou na mesma posição que o Sudão do Sul, tendo deixado apenas para trás quatro nações: Sudão, Afeganistão, Coreia do Norte e Somália.
Segundo a Transparência Internacional, os entraves em levar “responsáveis públicos corruptos” às barras dos tribunais angolanos, bem como a “intimidação de cidadãos que denunciam corrupção”, constaram entre as preocupações registadas.
Entretanto, volvidos mais de 10 anos, o país melhorou significativamente a sua posição no Índice de Percepção da Corrupção. Mais recentemente, Angola ocupou a posição 120 entre 182 países analisados, tendo obtido 32 pontos numa escala de 0 a 100.
Conclui-se, assim, que as declarações de António Venâncio são verdadeiras.
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Avaliação do Polígrafo África:




