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Confirma-se que as Testemunhas de Jeová já podem doar sangue?

Política
O que está em causa?
Uma informação que se tem tornado viral em todo o mundo indica que as Testemunhas de Jeová terão adoptado uma nova orientação doutrinária, contrastando com o que defenderam durante décadas, passando a admitir, doravante, a possibilidade de se submeterem a transfusões de sangue em caso de necessidade médica. Paralelamente, multiplicam-se nas redes sociais questionamentos sobre a veracidade desta alegação, tendo várias mensagens sido dirigidas ao Polígrafo África a solicitar uma verificação dos factos.

“A ser verdade que as Testemunhas de Jeová já podem doar e receber sangue, então, adventistas, perdoem já o porco”, lê-se numa publicação, na qual o autor deixa implícita a intenção de confirmar a veracidade da informação.

 

Independentemente de ser verdadeira ou não, a alegação de que esta organização religiosa terá alterado a sua posição quanto às transfusões de sangue gerou forte indignação em diversos sectores. Em várias publicações no Facebook, questiona-se a direcção das Testemunhas de Jeová – conhecida como “Corpo Governante”, com sede em Nova Iorque, Estados Unidos da América – sobre se tem noção de quantas pessoas terão morrido por recusarem transfusões de sangue, por terem sido ensinadas de que esse procedimento constituía pecado.

Numa dessas publicações, recorda-se que, em 1994, uma edição da revista Despertai! – com o objectivo de fortalecer a fé dos fiéis e a sua abstinência de transfusões – relatou a história de quatro jovens, identificados como Adrian Yeatts, Lenae Martinez, Lisa Kosack e Ernestine Gregory, que alegadamente terão morrido após batalhas judiciais por recusarem receber transfusões, apesar de o seu estado de saúde exigir esse procedimento.

“O mesmo sangue que antes levava à exclusão da congregação, ou à morte, tornou-se subitamente uma questão pessoal. Pergunto, como ex-Testemunha de Jeová: o que dizer às famílias de Adrian, Lenae, Lisa e às milhares de famílias enlutadas? Se a verdade de Deus pode mudar assim, quem pagou o preço dessa mudança? Não foi a organização. Foram adultos, jovens e crianças. Foram bebés”, lê-se num dos textos partilhados.

Noutra publicação, igualmente marcada por forte crítica, questiona-se como a “verdade” que as Testemunhas de Jeová afirmam provir de Deus pode ser actualizada “a toda a hora, como se fosse uma aplicação móvel”. Recorda-se ainda que, durante décadas, os fiéis do sexo masculino eram proibidos de usar barba – uma norma que, alegadamente, terá sido abandonada em 2024.

“Hoje, as irmãs também podem usar calças em reuniões e na pregação (o que antes era proibido). Agora, em Março de 2026, liberam o sangue (…). Antes era pecado mortal. Quantos irmãos e irmãs morreram nas décadas de 60, 70, 80, 90, 2000 e 2010? Estimativas (de médicos, ex-membros e estudos como os do AJWRB) apontam para dezenas de milhares de mortes desde 1961. Não são casos isolados. São pessoas que sangraram até morrer em partos, acidentes ou cirurgias… porque a organização afirmou: ‘Jeová proíbe’ (a transfusão de sangue)”, escreve um utilizador.

Mas será verdade que as Testemunhas de Jeová já podem doar e receber sangue?

A resposta não é assim tão linear. Em comunicado enviado ao Polígrafo África, o Departamento de Comunicação do Betel – entidade representativa das Testemunhas de Jeová em Angola, com sede em Talatona, Luanda – afirma que a “crença central” da organização “quanto à santidade do sangue mantém-se inalterada”.

Contudo, esclarece que os fiéis passaram a ter liberdade, em contexto médico, para permitir que o seu “próprio sangue seja removido, armazenado e posteriormente reinfundido”. Ou seja, podem autorizar a extracção do seu próprio sangue, a sua conservação e posterior reutilização para uso exclusivamente pessoal.

“Como a Bíblia não comenta o uso do próprio sangue de uma pessoa, cada cristão decide perante Deus como o seu próprio sangue pode ser utilizado em procedimentos médicos e cirúrgicos”, lê-se no documento.

Importa sublinhar que a autotransfusão (ou transfusão autóloga) já é praticada em alguns países, embora sujeita a regras específicas. Por exemplo, segundo o suplemento de saúde da revista Veja, no Brasil já é permitido este procedimento, no qual o paciente recebe o seu próprio sangue, em vez de sangue proveniente de um doador.

Ao Polígrafo África, o presidente do Sindicato dos Médicos de Angola, Adriano Manuel, refere que o procedimento também é possível no país, sobretudo em cirurgias electivas – ou seja, intervenções programadas com antecedência.

“Porém, nos nossos hospitais, não é possível realizar autotransfusões em situações de emergência”, esclarece.

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Avaliação do Polígrafo:

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