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Confirma-se que o projecto Muangai da UNITA já previa multipartidarismo e economia de mercado em Angola, como afirmou Adriano Sapiñala?

Política
O que está em causa?
Durante um encontro com a comunidade angolana em França, o secretário da UNITA em Luanda e deputado à Assembleia Nacional, Adriano Sapiñala, afirmou que o projecto Muangai já previa a democracia multipartidária e a economia de mercado. Mas será esta afirmação correcta?

A UNITA, maior partido da oposição em Angola, promoveu na última semana um encontro com a comunidade angolana em Paris, França. Na ocasião, o parlamentar destacou os princípios que estiveram na base da fundação do partido, afirmando que estes serviram de “cábula” para o MPLA, formação política que sustenta o Governo.

“O projecto Muangai já previa a democracia através de vários partidos políticos. Outro ponto é a economia de mercado. O MPLA defendia a economia centralizada, enquanto a UNITA defendia a economia de mercado”, declarou.

Além disso, Sapiñala lamentou aquilo que considera ser a incapacidade do Governo, liderado pelo MPLA, de implementar de forma eficaz uma economia de mercado, alegadamente inspirada nas propostas da UNITA.

“O MPLA não consegue acertar. Não consegue adaptar-se à economia de mercado, baseada na redução da influência do Estado na economia. Ou seja, são os actores económicos que devem regular a actividade económica”, acrescentou.

O dirigente referiu ainda que, em Angola, “infelizmente”, muitos empresários são simultaneamente membros do Governo ou familiares de titulares de cargos públicos, o que, segundo afirmou, favorece o tráfico de influências na contratação pública.

Mas será verdade que o projecto Muangai já previa a democracia multipartidária e a economia de mercado?

De acordo com registos históricos, a afirmação tem fundamento. O projecto Muangai foi criado em Março de 1966, na localidade de Muangai, província do Moxico, e incluía  princípios que apontavam para um sistema político plural e uma economia descentralizada.

Entre os cinco princípios definidos, o ponto dois estabelecia: “Democracia assegurada pelo voto do povo através de vários partidos políticos”.

Já o ponto cinco defendia a “busca de soluções económicas, priorizando o campo para beneficiar a cidade”, o que tem sido interpretado como uma orientação para uma economia descentralizada com forte enfoque no sector agrícola.

O projecto foi concebido durante o I Congresso da UNITA e contou com a participação de várias figuras fundadoras, entre as quais Jonas Savimbi, José Samuel Chiwale e Miguel N’Zau Puna, entre outros.

Entre as individualidades presentes, destacaram-se os fundadores Jonas Malheiro Savimbi, José Liahuka, Tony da Costa Fernandes, David Jonatão Chingunji, José Samuel Chiwale, Samuel Piedoso Chingunji, Miguel N’Zau Puna, Ernesto Joaquim Mulato, Alexandre Magno Chinguto, Pedro Paulino Moisés, José Calundungu, Isaías Mussumba, Mateus Bandua, Samuel Chivava Muanangola e Tiago Sachilombo.

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Avaliação do Polígrafo África

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