“Frelimo só sai do poder na segunda vinda de Cristo”, lê-se numa publicação viral no Facebook, datada de 4 de Agosto. Nos comentários, os utilizadores manifestam-se de forma veemente: “Se a própria ACLLIN está em vias de extinção, pois é composta por velhos”, critica um. Outro comenta: “Essas palavras fizeram-me lembrar a história do Titanic.” “Isto é uma falta de respeito para com o povo”, acrescenta mais um.
Mas afinal, confirma-se que Carlitos Naweka fez esta afirmação?
Sim, confirma-se. Durante um encontro com simpatizantes da Frelimo, realizado na segunda-feira, 3 de Agosto, Carlitos Naweka afirmou: “Eles podem tentar, da maneira deles, tirar a Frelimo à força, mas não vão conseguir. Nós tirámos os portugueses aqui em Moçambique, não vamos agora ser tirados por alguém qualquer. Até Jesus Cristo voltar à Terra, a Frelimo vai continuar no poder.”
Na mesma ocasião, o secretário provincial da ACLLIN reforçou a posição do partido perante alegadas ameaças de golpe de Estado, sublinhando o papel das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) como garante da soberania nacional: “Os militares são filhos dos combatentes da luta de libertação.”
Em declarações ao Polígrafo África, o historiador moçambicano Samussodine Mutuque afirmou que as palavras de Carlitos Naweka “reflectem uma tentativa de militarizar a mensagem de que os moçambicanos têm uma dívida com a Frelimo”.
Na sua análise, Mutuque considera que esta retórica procura legitimar o poder do partido com base na sua herança histórica, mas alerta: “Essa abordagem não é sustentável na conjuntura actual. Em vez de se apoiar exclusivamente na luta de libertação, a Frelimo precisa de se concentrar em atender às necessidades básicas da sociedade e em desenvolver políticas públicas que promovam o desenvolvimento de Moçambique.”
O historiador conclui que “a Frelimo precisa de se adaptar às novas realidades políticas e sociais do país. A legitimação do poder não pode basear-se apenas no passado histórico.”
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Avaliação do Polígrafo África:



