“Angola está a sair do trilho. Está quase tudo a cair. Desde o final do ano que a produção diamantífera caiu, bem como o seu preço no mercado. O petróleo também caiu na produção, embora tenha sido excepcionalmente compensado pelo aumento do preço, impulsionado pela guerra do outro lado do mundo”, lê-se numa publicação no Facebook.
Uma mensagem com conteúdo parcialmente semelhante circula também no WhatsApp. Nela, apesar de se reconhecer uma conjuntura económica difícil para as famílias, rejeita-se a atribuição de responsabilidades exclusivas à actual administração, sublinhando-se que os principais responsáveis pela situação são gestores dos 15 anos subsequentes ao Acordo de Paz de 2002, alegadamente marcados por uma gestão negligente dos empréstimos contraídos.
“Em 2027, vamos despedir-nos de João Lourenço, e uma questão mantém-se: que legado, que país nos deixará? Verifica-se uma queda na produção em vários sectores, aumentou o número de famílias em situação de pobreza extrema, e o Governo continua a agravar a carga fiscal. No entanto, há algo que raramente se discute: os principais responsáveis por esta realidade são os governantes do tempo de José Eduardo dos Santos, pelo uso que fizeram dos créditos provenientes da China e de outros países”, refere outro internauta numa mensagem partilhada num grupo de WhatsApp.
Mas será verdade que Angola registou uma queda na produção diamantífera e no preço de venda no final de 2025?
Os dados oficiais apontam para um cenário parcialmente distinto. De acordo com o “Relatório de Execução do Orçamento Geral do Estado do IV Trimestre de 2025”, recentemente divulgado pelo Ministério das Finanças, a produção diamantífera atingiu, no período em análise, 4,3 milhões de quilates, o que representa um aumento de 10,1% face ao trimestre anterior, quando se fixou em 3,9 milhões de quilates.
Contudo, importa salientar que, se por um lado se verificou um aumento da produção de diamantes, por outro registou-se uma descida dos preços. No último trimestre do ano, o preço médio de comercialização foi de 99 dólares por quilate, inferior aos 102 dólares por quilate registados entre Julho e Setembro do mesmo ano.
Já no sector petrolífero, cujo preço tem vindo a subir em 2026 devido às tensões geopolíticas internacionais, o preço médio no quarto trimestre de 2025 situou-se em 62,6 dólares por barril, cerca de 10,6% abaixo do valor previsto no OGE 2025, que apontava para uma média de 70 dólares por barril.
Avaliação do Polígrafo:





