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Congresso da OMA. Graciete “abandona” a corrida e deixa Carlota como candidata única

Política
O que está em causa?
O VIII Congresso Ordinário da Organização da Mulher Angolana (OMA), braço feminino do MPLA, prometia ser “histórico”, como sublinhou por diversas vezes a coordenadora da subcomissão de candidaturas, Eduarda Magalhães. Tal não fosse a decisão de Graciete Sungua de desistir da sua candidatura, deixando a deputada Emília Carlota Dias a concorrer sozinha ao cargo de secretária-geral da organização.

“O Bureau Político (BP) do MPLA tomou conhecimento da decisão voluntária da camarada Graciete Edine Dombolo Chivaca Mateus Sungua de retirar a sua candidatura ao cargo de secretária-geral da OMA”, anunciou o porta-voz do MPLA, Esteves Hilário, no final da reunião do Bureau Político realizada esta terça-feira, dia 20 de Janeiro.

O anúncio caiu como uma verdadeira “bomba” em diversos sectores da sociedade angolana, com muitos utilizadores das redes sociais a manifestarem dúvidas quanto ao carácter voluntário da decisão de Graciete Sungua.

Durante a leitura do comunicado resultante da reunião, Esteves Hilário referiu que, tendo sido constatado que “não existem factores impeditivos para a aceitação da decisão da camarada (…) por ser legítima e estar alinhada com os princípios e regras da democracia interna”, o Bureau Político do Comité Central considerou que o processo deveria prosseguir com a candidatura da camarada Emília Carlota Sebastião Celestino Dias, nos termos previstos nas bases gerais e no regulamento eleitoral da OMA.

Refira-se que Emília Carlota Dias e Graciete Sungua foram as duas candidatas, entre as quatro inicialmente inscritas, que ultrapassaram os vários escrutínios previstos pelas regras internas da OMA. O processo incluiu, numa primeira fase, a avaliação dos requisitos, que ditou a exclusão de Adelina Samba Rosa Bambi Louzada, e, posteriormente, uma votação secreta dos membros do Comité Nacional da OMA, que afastou Maria de Lourdes Caposso.

Ainda no quadro do ritual democrático seguido pela organização, as candidaturas de Emília Carlota Dias e Graciete Sungua foram validadas pelo Bureau Político do MPLA esta semana, as respectivas campanhas eleitorais.

Não fosse a desistência de Graciete Sungua, tornada pública esta tarde, esta seria a primeira vez, desde a sua fundação, há 64 anos, que a OMA realizaria um congresso com múltiplas candidaturas à liderança.

Em declarações à imprensa no passado dia 15 do corrente mês, data que marcou o encerramento do processo de entrega de candidaturas, a coordenadora da subcomissão de candidaturas do congresso, Eduarda Magalhães, reiterou que o VIII Congresso Ordinário seria histórico, por se tratar do primeiro conclave da organização com mais de uma candidatura.

Na mesma ocasião, a secretária-geral cessante, Joana Tomás, apelou à unidade interna, exortando os militantes a evitarem a criação de alas no seio da OMA, tendo em conta o carácter inédito da multiplicidade de candidaturas.

Emília Carlota Dias

Foi a primeira candidata a submeter o processo. Emília Carlota Sebastião Celestino Dias completa 54 anos em Julho deste ano e milita na OMA há 27 anos.

Deputada à Assembleia Nacional, é esposa do actual governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias. Foi membro da Organização dos Pioneiros de Agostinho Neto (OPA), exerceu funções dirigentes a nível provincial e nacional na JMPLA e integra actualmente o Comité Nacional da OMA, o Bureau Político e o Comité Central do MPLA.

Professora de profissão, é licenciada em Ciências da Educação. Desempenhou os cargos de segunda secretária da Mesa da Assembleia Nacional (2008–2012), primeira secretária da Mesa (2012–2017) e primeira vice-presidente da Assembleia Nacional (2017–2022).

Graciete Sungua

Nascida a 19 de Fevereiro de 1977, na província do Bié, Graciete Edine Dombolo Chivaca Mateus Sungua é membro do Comité Central do MPLA e integrou o Secretariado Executivo Nacional cessante, onde exerceu as funções de coordenadora nacional de Disciplina e Auditoria. Iniciou a militância na infância, ao integrar a OPA, em 1985, e filiou-se na OMA em 1992.

Engenheira de Petróleos e mestre em Engenharia de Reservatórios, formada nos Estados Unidos da América, exerce actualmente o cargo de chefe do Departamento de Engenharia de Reservatórios da Sonangol, sendo a primeira mulher a ocupar esta posição.

Proveniente de uma família historicamente ligada à política e ao MPLA no Bié, é filha da nacionalista e antiga deputada Alice Dombolo Chivaca, ex-secretária-geral adjunta da OMA, falecida em 2013. É sobrinha de Jorge Inocêncio Dombolo, deputado e membro do Bureau Político, e do malogrado Baltazar Gourgel Dombolo, antigo director interino do SINFO, sendo casada com José Sungua, ligado a iniciativas de desenvolvimento comunitário através da Associação dos Naturais, Descendentes e Amigos do Bié (ANABIE).

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