“O futuro da eficácia da política monetária em Angola não depende apenas da competência técnica do BNA (Banco Nacional de Angola). A eficácia da política monetária é um desafio estrutural muito maior do que aquilo que o banco central, isoladamente, consegue resolver (…). Na prática (…), a política monetária em Angola possui um alcance profundamente segmentado. Quando o CPM (Comité de Política Monetária) se reúne para alterar os instrumentos de política monetária e influenciar as condições financeiras, as decisões tomadas afectam directamente apenas uma parcela relativamente pequena da população economicamente activa, essencialmente os trabalhadores formais e os agentes económicos financeiramente integrados, que, de acordo com o INE, são aproximadamente 2,2 milhões de pessoas, isto é, menos de 5% da população”, escreveu o economista Mateus Maquiadi, no seu espaço de opinião no jornal Expansão.
No texto, o especialista refere que, regra geral, “um banco central não controla directamente a inflação”, acrescentando que, para que essa “influência” do banco “funcione de forma eficiente”, “os agentes económicos precisam de estar conectados ao sistema financeiro”.
Mateus Maquiadi reforçou que a informalidade tem-se apresentado como um dos maiores obstáculos à eficácia da política monetária do BNA, porque, segundo observou, “desconecta milhões de pessoas do sistema financeiro formal, colocando-as fora do alcance directo dos principais mecanismos de transmissão monetária”.
Mas será verdade que, do total da população empregada, 2,2 milhões se encontram no sector formal?
Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), constantes do Inquérito ao Emprego em Angola referente ao I Trimestre de 2026, apontam que a população empregada, com 15 ou mais anos, foi estimada em 9,5 milhões de pessoas, das quais 6,6 milhões no sector informal e 2,2 milhões no sector formal.
Contudo, os números apresentam um recuo em termos de emprego global, quando comparados com o IV Trimestre de 2025, período em que a população empregada estava fixada em 9,8 milhões de pessoas. Por outro lado, demonstram uma evolução em termos de formalidade, dado que, no trimestre anterior, estavam registadas pouco menos de 2,1 milhões de pessoas empregadas no sector formal.
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