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Daniel Chapo pronunciou-se sobre uma alegada invasão dos Estados Unidos à Venezuela?

Política
O que está em causa?
Na sequência dos acontecimentos em Caracas, que dariam conta do sequestro e detenção do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por forças do governo norte-americano, por supostos crimes de narcotráfico e narcoterrorismo, começaram a circular rumores nas redes sociais. Segundo essas alegações, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, teria emitido um ultimato de 48 horas ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigindo explicações sobre a suposta detenção de Maduro. Mas será isto verdade?

Uma publicação partilhada a 4 de Janeiro na rede social Facebook afirma que “o Presidente da República de Moçambique emitiu uma nota contundente onde disse que Trump tem 48 horas, equivalentes a dois dias, para se explicar sobre a detenção do Presidente Nicolás Maduro; tudo indica que, caso Trump não se pronuncie, Moçambique poderá agir”.

Na caixa de comentários, multiplicam-se reacções de cepticismo. Vários internautas questionam a capacidade de Moçambique para qualquer tipo de intervenção face aos Estados Unidos. “A dependência tecnológica e a falta de investimento em defesa deixam-nos décadas atrás dessa capacidade de agir de forma integrada e decisiva em várias áreas”, escreveu um utilizador.

Confirma-se, então, que Daniel Chapo tenha feito algum pronunciamento sobre a alegada detenção de Nicolás Maduro?

Não. Não existe qualquer confirmação oficial de que o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, tenha emitido um ultimato de 48 horas ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, relativamente à alegada detenção do Presidente venezuelano. O Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação não fez qualquer comunicação oficial sobre o assunto, nem houve reacção pública por parte da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido presidido por Daniel Chapo.

As especulações sobre uma eventual reacção de Moçambique surgem num contexto de histórica cooperação política e diplomática entre Moçambique e a Venezuela, relação que terá sido recentemente reforçada por uma visita do secretário-geral da Frelimo, Chakil Boobacar, em Julho de 2025.

Em declarações ao Polígrafo África, o especialista em Relações Internacionais e docente da Universidade Joaquim Chissano (UJC), Calton Cadeado, considera que Moçambique não tem qualquer obrigação formal de se pronunciar sobre o assunto.

“Legalmente, Moçambique não tem nenhuma obrigação de se pronunciar; moralmente, pode ser recomendável, mas não é obrigatório”, explicou. “Nas relações internacionais, não existem obrigações legais automáticas; o nível de reacção depende dos interesses nacionais de cada país e da avaliação da sua responsabilidade moral.”

Relativamente à ligação histórica e actual entre a Frelimo e o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), no âmbito de acordos de cooperação política e económica, Calton Cadeado admite a possibilidade de uma tomada de posição partidária.

“Se a Frelimo fizer algum pronunciamento, será no quadro de um partido irmão. Pode fazê-lo publicamente ou em espaço reservado; não existe qualquer documento que estabeleça regras específicas nesse sentido”, concluiu.

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Avaliação do Polígrafo África:

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