A posição da UNITA relativamente ao ciberataque à maior operadora de telefonia móvel do país foi manifestada pela presidente do seu Grupo Parlamentar, Albertina Navemba Ngolo, mais conhecida por Navita Ngolo, durante a sessão parlamentar desta quinta-feira, 30.
Para a líder parlamentar do maior partido da oposição, é “inaceitável que ocorram interrupções (nas telecomunicações) durante 36 horas sem informação tempestiva, transparente e responsabilização”, sobretudo depois de o país ter concebido e inaugurado um “Datacenter”, orçado em milhões de dólares.
“O Grupo Parlamentar da UNITA vai propor uma comissão de inquérito e audições parlamentares ao presidente da Assembleia Nacional, no sentido de se averiguarem as causas do apagão generalizado dos serviços de telecomunicações (…). A UNITA manifesta a sua profunda preocupação com as graves falhas nas comunicações e telecomunicações da UNITEL, registadas nos dias 28 e 29 de Julho, que afectaram milhares de cidadãos e instituições em todo o país, num contexto em que as telecomunicações constituem um serviço essencial para a economia, a segurança, a saúde e a vida dos cidadãos”, sublinhou Navita Ngolo.
Importa referir que a decisão da UNITA de requerer uma comissão de inquérito sobre o assunto surge numa altura em que o Conselho de Administração da Unitel manifesta estranheza pelo facto de o ataque cibernético de que foi vítima ter ocorrido, coincidentemente, na véspera da privatização de 15% das suas acções em bolsa.
Em comunicado publicado na manhã desta quinta-feira, a companhia liderada por Aguinaldo Jaime dá nota de nunca ter sido confrontada com um “incidente desta natureza e desta dimensão”, referindo que dispõe de “sistemas e infra-estruturas de cibersegurança robustos e alinhados com as melhores práticas internacionais do sector, incluindo um centro de operações de segurança, planos de continuidade de negócio e de recuperação de desastres e monitorização contínua de ameaças”.
No documento, a Unitel assegura que o incidente já está controlado, referindo que a “recuperação dos serviços móveis de voz, dados e acesso à internet começou a fazer-se de forma gradual e localizada a partir das 11h45 do dia 29 de Julho”, acrescentando que, até à publicação do comunicado, tinham sido repostos “parcialmente os serviços móveis de voz, dados (excepto SMS) e acesso internet nas províncias de Luanda, Bengo, Benguela, Bié, Cuando, Cubango, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul, Cunene, Huambo, Huíla, Icolo e Bengo, Malanje, Lunda-Norte e Namibe”.


