Uma publicação difundida no dia 18 de Julho atribui ao antigo Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, a seguinte frase: “Viemos para garantir eleições justas e transparentes e com resultados esmagadores”, escreveu o autor.
O texto gerou reacções na caixa de comentários. “Confusão à vista”, comentou um utilizador. Outro respondeu: “Será?”
Mas será verdade que estas palavras foram realmente ditas pelo antigo Presidente de Moçambique?
Não. As declarações atribuídas a Filipe Nyusi são falsas.
À imprensa, o chefe da missão de observação eleitoral da União Africana afirmou que está em São Tomé para verificar se o processo eleitoral decorre de acordo com as regras internacionalmente padronizadas.
“Todos sabem que observar não é vir arbitrar. Não somos árbitros aqui. O país, para as eleições, tem a Comissão Eleitoral. Nós viemos observar, ver se as regras estão a ser cumpridas, aquelas que são definidas internacionalmente. Mas nós, como continente, neste caso a União Africana, estamos aqui. E também, sobretudo, respeitar as vontades do povo. As vontades do povo de São Tomé e Príncipe estão na sua Constituição, na lei eleitoral”, disse Nyusi. “A vontade é simples: transmitir a mensagem de tranquilidade, a esperança dos africanos, e explorar ao máximo a experiência do povo são-tomense, que tem uma história de uma democracia muito forte, e é esta que nos interessa manter para ser replicada”, acrescentou.
Segundo o comunicado oficial da União Africana, a missão foi destacada a convite do Governo são-tomense para observar o escrutínio. É chefiada por Filipe Nyusi, antigo Presidente da República de Moçambique, e composta por 29 observadores de curto prazo provenientes de 17 Estados-membros da organização continental.
Os observadores permanecerão em São Tomé entre 11 e 23 de Julho de 2026. Entre os países de origem estão África do Sul, Angola, Benim, Burquina Faso, Burundi, Cabo Verde, Djibuti, Etiópia, Guiné Equatorial, Moçambique, Nigéria, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Ruanda, Senegal, Tunísia e Zimbabué.
A missão inclui embaixadores acreditados junto da sede da UA, em Adis Abeba, representantes de órgãos de gestão eleitoral, peritos eleitorais independentes e representantes de organizações da sociedade civil e da juventude africanas.
A União Africana esclarece ainda que o mandato da missão é acompanhar todas as etapas do processo eleitoral, através de encontros com candidatos, partidos políticos, autoridades governamentais, órgãos de gestão eleitoral, sociedade civil, órgãos de comunicação social e outras missões internacionais.
A actuação dos observadores será norteada pela legislação nacional são-tomense e por instrumentos africanos e internacionais sobre democracia, governação e observação de eleições. A organização prevê divulgar uma declaração preliminar com as primeiras conclusões e recomendações no dia 21 de Julho. O relatório final só será elaborado após a proclamação dos resultados definitivos.





