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É verdade que 98% da população angolana era analfabeta por ocasião da independência, como afirmou o general Paka?

Sociedade
O que está em causa?
Numa recente entrevista à plataforma digital Rádio Ouvinte, o oficial-general reformado Manuel Mendes de Carvalho Pacavira, conhecido como general Paka, lamentou o estado da educação no país, sublinhando que há estudantes universitários que não sabem escrever. Alegou, por outro lado, que, por ocasião da independência, 98% da população angolana era analfabeta. Confirma-se?

“Por ocasião da pseudo-independência de Angola [em 1975], 98% dos angolanos eram analfabetos, especialmente os pretos”, afirmou o general Paka, no programa Papo Recto, emitido na quinta-feira, 15 de Junho.

Numa conversa de cerca de duas horas, o general Paka, que trava uma “batalha judicial” por supostamente ter cometido crimes de difamação, calúnia e injúria contra o Presidente da República, João Lourenço, lamentou o estado da educação em Angola, sublinhando que o ensino é de “péssima qualidade”.

O general reformado questionou: “Sem escola, você vai ter país? Que país é que você quer? Um indivíduo que é licenciado, mesmo com dicionário no telemóvel, comete erros. Você faz um ditado: ‘O gato comeu um chouriço.’ E ele não consegue escrever ‘chouriço’ e coloca ‘souriço’”, referiu o general.

Após constatar debilidades no sistema de ensino em Angola, o general Paka apelou a uma revolução cultural e na educação.

Mas será verdade que 98% dos angolanos eram analfabetos por ocasião da independência, em 1975?

O número apresentado pelo general Paka não é rigoroso. De acordo com dados do Ministério da Educação (MED), em 1975, ano da independência de Angola, a taxa de alfabetização situava-se em cerca de 15%, correspondendo a uma taxa de analfabetismo de aproximadamente 85%.

Aliás, o número do MED foi também referido pelo Presidente João Lourenço no ano passado. Discursando à Nação, na Assembleia Nacional, o Chefe de Estado angolano afirmou que Angola herdou “a pesada herança dos 500 anos de colonização: em 1975, 85% dos angolanos eram analfabetos, não sabiam ler nem escrever”.

Segundo o Presidente João Lourenço, actualmente, a taxa de analfabetismo ronda os 24%.

Importa referir que, em 2019, o então ministro de Estado para o Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, afirmou os mesmos números referidos pelo Presidente e pelo MED: em 1975, 85% dos angolanos eram analfabetos.

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Avaliação do Polígrafo África

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