“Por ocasião da pseudo-independência de Angola [em 1975], 98% dos angolanos eram analfabetos, especialmente os pretos”, afirmou o general Paka, no programa Papo Recto, emitido na quinta-feira, 15 de Junho.
Numa conversa de cerca de duas horas, o general Paka, que trava uma “batalha judicial” por supostamente ter cometido crimes de difamação, calúnia e injúria contra o Presidente da República, João Lourenço, lamentou o estado da educação em Angola, sublinhando que o ensino é de “péssima qualidade”.
O general reformado questionou: “Sem escola, você vai ter país? Que país é que você quer? Um indivíduo que é licenciado, mesmo com dicionário no telemóvel, comete erros. Você faz um ditado: ‘O gato comeu um chouriço.’ E ele não consegue escrever ‘chouriço’ e coloca ‘souriço’”, referiu o general.
Após constatar debilidades no sistema de ensino em Angola, o general Paka apelou a uma revolução cultural e na educação.
Mas será verdade que 98% dos angolanos eram analfabetos por ocasião da independência, em 1975?
O número apresentado pelo general Paka não é rigoroso. De acordo com dados do Ministério da Educação (MED), em 1975, ano da independência de Angola, a taxa de alfabetização situava-se em cerca de 15%, correspondendo a uma taxa de analfabetismo de aproximadamente 85%.
Aliás, o número do MED foi também referido pelo Presidente João Lourenço no ano passado. Discursando à Nação, na Assembleia Nacional, o Chefe de Estado angolano afirmou que Angola herdou “a pesada herança dos 500 anos de colonização: em 1975, 85% dos angolanos eram analfabetos, não sabiam ler nem escrever”.
Segundo o Presidente João Lourenço, actualmente, a taxa de analfabetismo ronda os 24%.
Importa referir que, em 2019, o então ministro de Estado para o Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, afirmou os mesmos números referidos pelo Presidente e pelo MED: em 1975, 85% dos angolanos eram analfabetos.
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