“Num país em que a desnutrição infantil é grave e afecta muitas crianças, é óbvio que o Estado não pode cortar 600 milhões de kwanzas no combate à desnutrição. Está a colocar em risco crianças que ainda precisam deste apoio do Estado”, afirmou no domingo, 1 de Fevereiro, o comentador residente do programa da TV Zimbo.
A declaração de Lindo Bernardo Tito surgiu em reacção a uma notícia publicada pelo semanário Novo Jornal, que dava conta do corte das verbas destinadas ao combate à desnutrição infantil em Angola.
Segundo o antigo deputado à Assembleia Nacional pela CASA-CE, o Estado deve reflectir “seriamente” sobre as suas obrigações sociais no que diz respeito à protecção das crianças, alertando que, caso contrário, vários menores poderão morrer por desnutrição em diversas localidades do país.
Mas será verdade que a desnutrição infantil atinge um grande número de crianças em Angola?
A resposta é afirmativa. A narrativa apresentada pelo comentador da Revista Zimbo é sustentada por dados oficiais. De acordo com o Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS), publicado em Outubro do ano antepassado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a desnutrição crónica grave afecta cerca de 40% das crianças com menos de cinco anos no país.
O mesmo relatório indica ainda que 5% das crianças nessa faixa etária sofrem de desnutrição aguda.
Estes números, segundo um relatório de 2024 do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas, colocam Angola entre os países com as taxas de desnutrição infantil mais elevadas a nível mundial.
De acordo com o mesmo documento, Angola figura igualmente entre os países com maiores níveis de desigualdade, com cerca de 31% da população, o equivalente a 11,6 milhões de pessoas, a viver abaixo da linha da pobreza, com menos de dois euros por dia.
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