Entre as críticas destaca-se uma publicação de Rafael Mukanda, militante da UNITA que já foi alvo de processo disciplinar e que, em Junho de 2022, liderou um protesto junto do Tribunal Constitucional contra a inclusão de Abel Chivukuvuku e do empresário Francisco Viana nas listas de deputados da UNITA.
Numa publicação no Facebook, Mukanda acusou Adalberto Costa Júnior e o seu círculo próximo de desviar, trimestralmente, cerca de 300 milhões de kwanzas (aproximadamente 300 mil dólares norte-americanos) do cofre do partido para financiar Abel Chivukuvuku, Francisco Viana, Filomeno Vieira Lopes e outros, deixando as estruturas de base ao abandono. Apontou ainda o líder da UNITA de nepotismo, de alimentar a sua própria vaidade, de financiar bajuladores e de eliminar adversários internos.
Mas será verdade que Adalberto Costa Júnior desviou 300 milhões de kwanzas por trimestre para Chivukuvuku e Filomeno Vieira Lopes?
Não. Ao Polígrafo África, o secretário para Comunicação e Imagem da UNITA, Evaldo Evangelista, negou categoricamente as acusações. Sublinhou que, no âmbito da criação da Frente Patriótica Unida (FPU) – plataforma através da qual o PRA-JA Servir Angola, de Abel Chivukuvuku, e o Bloco Democrático (BD), de Filomeno Vieira Lopes, concorreram às eleições integrados nas listas da UNITA -, foram celebrados acordos de natureza parlamentar e governativa. Segundo explicou, a atribuição de verbas a estas forças decorre desses acordos, mas “não chega aos 300 milhões de kwanzas por trimestre”.
“Essas pessoas sabem disso: no quadro da FPU, há uma dotação financeira para o PRA-JA e o BD, mas não atinge 300 milhões de kwanzas por trimestre. E não é o presidente do partido quem opera esses pagamentos. Tudo o que os parceiros da FPU recebem está no quadro de acordos estabelecidos. O que está a acontecer é que o combate contra Adalberto Costa Júnior atingiu níveis elevados. E aqueles militantes que foram expulsos levaram a disputa para o campo pessoal”, declarou Evaldo Evangelista.
O modelo de atribuição de verbas aos partidos políticos está regulado pela Lei do Financiamento dos Partidos Políticos, cujo artigo 5.º estabelece que apenas as formações com assento parlamentar têm direito a dotação anual, calculada com base em 1.000 kwanzas por cada voto obtido nas eleições gerais.
No caso da UNITA, que obteve 2.756.786 votos nas eleições de 2022, a verba anual atribuída é de 2.756.786.000 kwanzas, cerca de 3 milhões de dólares. Esse montante não é entregue de uma só vez, mas sim em parcelas trimestrais. Assim, de acordo com os cálculos do Polígrafo África, a UNITA recebe por trimestre cerca de 689,2 milhões de kwanzas (aproximadamente 756,5 mil USD).
Ou seja, mesmo que existam dotações financeiras para os parceiros da FPU, seria materialmente impossível a UNITA transferir 300 milhões de kwanzas por trimestre apenas para o PRA-JA e o BD, como alega Rafael Mukanda, sem comprometer a sustentabilidade das próprias contas do partido.
Aliás, em Abril de 2025, o vice-coordenador para a área de Administração, Finanças e Património do PRA-JA, Isaías Daniel Sambangala, acusou a UNITA não de excesso, mas de incumprimento do acordo no seio da FPU. Segundo afirmou, o maior partido da oposição tem entregue ao PRA-JA apenas 6% da dotação orçamental, e não os alegados 50% previstos no entendimento inicial.
O Polígrafo África tentou ainda obter uma reacção de Rafael Mukanda às declarações oficiais, mas sem sucesso.
_____________________________________
Avaliação do Polígrafo África:





