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É verdade que o Primeiro-Ministro de Cabo Verde é o maior accionista da CV Interilhas?

Política
O que está em causa?
Está a circular nas redes sociais, em particular no Facebook, um vídeo do cidadão cabo-verdiano Alex Évora (também conhecido por Alex Varela e frequentemente associado a práticas de desinformação), no qual se acusa o Primeiro-Ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, de ser o accionista maioritário da empresa de transportes marítimos CV Interilhas. Verificação de factos.

No vídeo, com cerca de duas horas, Alex Évora acusa o chefe do Governo cabo-verdiano de liderar “uma quadrilha que vai fazer com que o Estado de Cabo Verde tenha que pagar à CV Interilhas mais de 40 milhões de dólares”. Acrescenta ainda: “Tenho toda a informação de quem é o responsável por essa desgraça, sabendo que Ulisses Correia e Silva é sócio maioritário da CV Interilhas.”

Perante estas acusações, o Governo de Cabo Verde reagiu prontamente, classificando o conteúdo como “falso, maldoso e difamatório”. Em comunicado oficial publicado na página do Governo no Facebook, foi anunciado que o primeiro-ministro apresentou uma participação criminal contra Alex Évora junto do Ministério Público. O visado, residente nos Estados Unidos da América, é também o administrador da página de Facebook “Alex Evora Green Arts”, onde o vídeo foi divulgado.

De acordo com o Governo, as declarações proferidas por Alex Évora são de “absoluta falsidade” e configuram “imputações caluniosas e difamatórias”, com impactos negativos na honra, reputação e imagem do primeiro-ministro e do próprio Executivo.

O vídeo acusa ainda o Governo de favorecer a CV Interilhas através da atribuição de subsídios e outros apoios financeiros, dos quais Ulisses Correia e Silva beneficiaria alegadamente enquanto sócio maioritário.

Mas afinal, o primeiro-ministro é mesmo accionista maioritário da CV Interilhas?

Segundo dados verificados pelo Polígrafo África, não. A CV Interilhas tem como principal accionista (com 51% do capital) a empresa portuguesa Transinsular, do Grupo ETE. Os restantes 49% pertencem a um grupo de 11 armadores cabo-verdianos. A empresa detém, desde Agosto de 2019, a concessão do serviço público de transporte marítimo interilhas de passageiros e carga, por um período de 20 anos, atribuída na sequência de um concurso público internacional.

Refira-se ainda que, após críticas de várias partes ao modelo de gestão e à qualidade do serviço prestado, foi realizada uma revisão do contrato de concessão.

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Avaliação do Polígrafo África:

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