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Economia moçambicana contraiu 4,9% no quarto trimestre de 2024, como afirmou o Presidente Daniel Chapo?

Economia
O que está em causa?
O Presidente da República de Moçambique concedeu uma entrevista à revista "Forbes África Lusófona", publicada na sua última edição. Durante a conversa, Daniel Chapo afirmou que, no último trimestre de 2024, a economia moçambicana recuou 4,9%, contrariando a tendência de crescimento registada nos trimestres anteriores. Confirma-se?
© Agência Lusa

“O tecido económico de Moçambique foi profundamente afectado por uma sequência de choques graves: fenómenos climáticos extremos, fragilidades estruturais acumuladas e, mais recentemente, as manifestações violentas que se seguiram às eleições gerais. Estes episódios deixaram marcas visíveis. Estimativas preliminares apontam para a destruição de mais de 950 estabelecimentos económicos e sociais, com um custo superior a 30 mil milhões de meticais”, declarou o chefe de Estado moçambicano.

Chapo acrescentou que, como consequência directa desses eventos, a economia nacional registou uma contração significativa: “No quarto trimestre de 2024, a actividade económica contraiu-se em 4,9%, invertendo a tendência de crescimento dos trimestres anteriores, e cerca de 50 mil postos de trabalho foram perdidos”, afirmou.

Estas declarações do Presidente moçambicano têm sustentação factual?

Sim. Dados divulgados na página oficial do Banco de Moçambique confirmam que, no quarto trimestre de 2024, a actividade económica sofreu uma contracção de 4,9%. O banco central atribui esta quebra ao impacto das tensões pós-eleitorais e aos efeitos devastadores dos fenómenos climáticos que afectaram vários sectores da economia.

“A redução da actividade económica, reflectida na variação negativa do Produto Interno Bruto (-4,9%), é justificada, fundamentalmente, pelo impacto das tensões pós-eleitorais e dos efeitos dos choques climáticos na maioria dos sectores de actividade”, lê-se no portal do banco.

Além disso, no dia 9 de Abril, durante uma sessão de Perguntas ao Governo na Assembleia da República, a primeira-ministra Benvida Levi corroborou estes números. Segundo a governante, as manifestações pós-eleitorais provocaram prejuízos superiores a 32,2 mil milhões de meticais e levaram à perda de mais de 50 mil empregos.

“Para o primeiro trimestre do presente ano, as projecções apontam para uma recuperação gradual, em comparação com o desempenho registado no quarto trimestre de 2024, no qual se verificou uma contração de 4,9% do PIB, devido ao impacto negativo das manifestações violentas pós-eleitorais”, sublinhou Levi.

Perante este cenário, o Executivo moçambicano implementou várias medidas para reanimar a economia, entre as quais: a criação do Fundo de Reabilitação Económica, com uma linha de crédito de 10 mil milhões de meticais para empresas afectadas, e o lançamento do Fundo de Garantia Mútua, destinado a facilitar o acesso ao crédito com condições mais favoráveis.

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Avaliação do Polígrafo África:

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