Em entrevista ao jornal Expansão, o governante sublinhou que a cultura deve ser encarada também como um sector económico. “A cultura tem de dar dinheiro. Olhamos para países como o Brasil ou a Nigéria, onde a cultura, além de ser um elevador social, é igualmente uma fonte de riqueza. No Brasil, os números são impressionantes”, afirmou.
Segundo Filipe Zau, o sector cultural brasileiro, considerando todas as suas vertentes, contribui com cerca de 3,5% para o PIB, superando, por exemplo, a indústria automóvel. “Estamos a falar de um valor superior a 235 mil milhões de reais [cerca de 44 mil milhões de dólares]. Em 2023, este sector gerou aproximadamente 1,2 milhões de empregos formais. Nos Estados Unidos, este peso é ainda maior”, acrescentou.
O ministro manifestou a expectativa de que a cultura angolana evolua para uma lógica semelhante, contribuindo para a criação de emprego e para a diversificação da economia nacional.
Além do Brasil, Filipe Zau destacou igualmente o caso da Nigéria, referindo que, no maior produtor de petróleo de África, o sector cultural representa cerca de 2,5% do PIB.
O governante acredita que Angola tem potencial para alcançar resultados semelhantes, sobretudo nos segmentos da música e da organização de eventos. De acordo com o ministro, o país dispõe de infra-estruturas relevantes, como centros culturais, salas de espectáculos, palácios e cinemas, que podem impulsionar o desenvolvimento do sector.
Mas confirmam-se os números relativos ao Brasil?
Os dados disponíveis indicam que sim. Não é recente a relevância do sector cultural na economia brasileira. Em 2020, no auge da pandemia da Covid-19, os sectores da produção artística, do património e da economia criativa empregavam cerca de 7,4 milhões de pessoas e representavam 3,11% do PIB brasileiro, superando os sectores automóvel e da construção civil.
Dados mais recentes indicam que a economia criativa, que engloba a criação de espectáculos e outras actividades culturais, já representa mais de 3,59% do PIB do Brasil. Apesar do crescimento registado, vários especialistas locais alertam que continuam a faltar políticas públicas estruturadas para o sector.
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Avaliação do Polígrafo África:



