“A Europa expulsou os judeus para o Oriente Médio, e desde então vive em paz. Mas o Oriente Médio foi destruído”, lê-se numa publicação da rede social Facebook, em que o autor sublinha que os europeus, depois de terem perseguido, expulsado e massacrado judeus durante séculos, encontraram uma “solução” para o problema: enviá-los para uma terra que não era deles, a Palestina.
“O que veio depois? Décadas de ocupação, guerra e genocídio contra o povo palestino”, acrescenta o autor, cuja publicação já conta com mais de 1.100 reacções, mais de 870 comentários e mais de 200 partilhas.
Os comentários à publicação dividem-se entre os que consideram a narrativa verdadeira e os que a rejeitam.
Mas será verdade que os judeus foram expulsos da Europa devido a um alegado comportamento conflituoso?
Os dados históricos indicam que os judeus constituem um grupo étnico e religioso cuja maioria da população residia na Europa durante os séculos XIX e XX, embora uma minoria tenha permanecido no Médio Oriente, na região então conhecida como Palestina, apesar das sucessivas invasões e exílios forçados que levaram muitos judeus, sobretudo, para a Europa.
Existem, de facto, registos da expulsão de judeus de alguns países europeus. Contudo, essas expulsões não ocorreram por causa de um comportamento conflituoso que colocasse em causa a integridade territorial ou a estabilidade socioeconómica desses territórios, mas sobretudo por motivações políticas e religiosas.
Os registos históricos indicam, por exemplo, que, em 1492, os judeus, que já prosperavam em território espanhol, foram expulsos pelos Reis Católicos, no âmbito de um esforço para estabelecer uma Espanha integralmente católica. A expulsão não foi pacífica, tendo sido acompanhada por agressões e espoliação.
Posteriormente, a Espanha pressionou Portugal a adoptar uma medida semelhante contra judeus e muçulmanos como condição do casamento entre o rei D. Manuel I e a infanta D. Isabel, filha dos Reis Católicos, em 1496.
Ao contrário do que a publicação pretende transmitir, em ambos os casos os judeus não foram expulsos devido a um comportamento conflituoso, mas em consequência de circunstâncias políticas e religiosas.
Mais tarde, porém, a Espanha voltou a acolher comunidades judaicas, reconhecendo a experiência financeira e administrativa de muitos dos seus membros.
Importa igualmente sublinhar que, já no século XX, os judeus foram perseguidos e exterminados pelo regime nazi, não porque promovessem o ódio ou procurassem apropriar-se da Alemanha, mas porque o líder alemão Adolf Hitler defendia a ideia de que os judeus constituíam uma raça inferior que actuava contra os arianos, corrompendo deliberadamente a moral e a economia alemãs.
Tanto nesse período como em épocas anteriores, os judeus, que não dispunham de um Estado próprio, sustentavam que a sua terra de origem era o Médio Oriente, concretamente a região da Palestina, então integrada no Império Otomano.
Antes da ascensão do nazismo, muitos judeus participaram na Primeira Guerra Mundial ao lado da Alemanha, por viverem naquele país. Já durante a Segunda Guerra Mundial, um número significativo combateu ao lado dos Aliados, ao mesmo tempo que procurava uma solução para a criação de um Estado judeu. Nesse contexto, foram ponderadas várias localizações, mas prevaleceu a ideia de estabelecer esse Estado no Médio Oriente, região que o movimento sionista identificava como a herança histórica do povo judeu.
Entretanto, o regresso em massa à Palestina não foi imediatamente possível, uma vez que a região se encontrava sob domínio otomano. Durante a Primeira Guerra Mundial, forças britânicas e árabes combateram o Império Otomano, culminando no fim do seu domínio sobre a Palestina.
Após esse período, o Governo britânico emitiu a Declaração Balfour, em 1917, manifestando apoio ao estabelecimento de um “lar nacional para o povo judeu” na Palestina, tendo em consideração as reivindicações históricas apresentadas pelo movimento sionista.
A posição judaica foi, contudo, contestada por parte da população árabe da região, o que levou as autoridades britânicas, em determinados períodos, a restringirem a imigração judaica para a Palestina. Após o fim da Segunda Guerra Mundial e a revelação do Holocausto, aumentou a pressão internacional para a criação de um Estado judeu, sendo a Palestina o território considerado para esse efeito.
Em 1947, a recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU) propôs a partilha da Palestina em dois Estados, um judeu e outro árabe. A Resolução 181 atribuía cerca de 55% do território ao Estado judeu e 45% ao Estado árabe, apesar de a população árabe ser superior à judaica.
Enquanto os dirigentes judeus aceitaram o plano de partilha e proclamaram o Estado de Israel em 14 de Maio de 1948, os Estados árabes e a liderança árabe palestiniana rejeitaram a proposta da ONU. No dia seguinte à proclamação da independência de Israel, forças do Egipto, Síria, Líbano, Iraque e Transjordânia, juntamente com forças árabes palestinianas, lançaram uma ofensiva militar contra o novo Estado.
Israel conseguiu repelir a ofensiva e alargou a área sob o seu controlo, passando a administrar parte do território que, segundo a Resolução 181, estava destinado ao futuro Estado árabe.
Em 1967, um novo conflito, conhecido como Guerra dos Seis Dias, opôs Israel ao Egipto, Síria e Jordânia. No decurso dessa guerra, Israel conquistou Jerusalém Oriental, a Cisjordânia, a Faixa de Gaza, as Colinas de Golã e a Península do Sinai.
Desde então, o conflito entre israelitas e palestinianos, bem como entre Israel e alguns dos seus vizinhos árabes, tem conhecido sucessivos episódios de violência. Ao longo desse período, Israel consolidou o controlo sobre vários territórios conquistados em conflitos armados, embora parte dessas áreas continue a ser objecto de disputa internacional e nem todas tenham reconhecimento como parte integrante do Estado de Israel ao abrigo do direito internacional.
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Avaliação do Polígrafo África:







