“Como é que nós, Angola, um país rico em petróleo, diamantes e ferro, continuamos a ter pessoas a morrer de malária? Como é que um mosquito mata pessoas? Portugal extinguiu a malária em 1975. Nós ainda temos malária e ainda temos cidadãos a morrer de cólera”, declarou Francisco Teixeira, visivelmente indignado, durante a sua intervenção.
O presidente do MEA acrescentou ainda que o cemitério de Viana, em Luanda, regista cerca de 30 funerais por dia, facto que, no seu entender, reflecte a degradação do sistema nacional de saúde. O dirigente estudantil criticou também a forma como algumas pessoas ascendem a empresários: “Não se deve ser do MPLA ou da UNITA para se tornar empresário em Angola”.
Mas será verdade que Portugal erradicou a malária em 1975, como afirmou Francisco Teixeira?
De acordo com os dados disponíveis, Portugal obteve a certificação de erradicação da malária pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1973 – um ano antes da Revolução de Abril e dois da independência de Angola.
A investigação científica sobre a doença intensificou-se em Portugal a partir da década de 1940, conduzindo ao desenvolvimento de melhores métodos de prevenção e controlo. Os planos para erradicar a malária foram delineados nos anos 1950, e, em 1958, a transmissão da infecção estava já interrompida em quase todas as regiões do território europeu.
Confrontado posteriormente com a discrepância entre a sua declaração e os dados oficiais, Francisco Teixeira admitiu o lapso, explicando que, durante o discurso, poderá ter confundido com outra doença.
Perante os factos, é seguro concluir que a afirmação do líder do MEA carece de exactidão.
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Avaliação do Polígrafo África:


