No dia 29 de Julho, quarta-feira, o governador do Banco de Moçambique (BM), Rogério Zandamela, pronunciou-se sobre a polémica em torno da folha salarial dos administradores e de outros gestores do Banco Central.
Após as suas declarações, começaram a circular informações segundo as quais o governador teria sido afastado da liderança do Banco de Moçambique pelo Presidente da República, Daniel Chapo.
“Daniel Chapo está a trabalhar. Fogo! Zandamela caiu muito mal”, lê-se numa publicação partilhada na rede social Facebook.
Em reacção à publicação, os internautas dividiram-se quanto à veracidade da informação.
“Não tem nada a ver. É o fim do seu mandato”, comentou um utilizador, ao que outro respondeu: “Notícia falsa pode levar-te à Procuradoria e arrependeres-te lá.”
Mas será verdade que o governador do Banco de Moçambique foi exonerado do cargo?
A resposta é não. Não existe qualquer anúncio oficial do Presidente da República, Daniel Chapo, a exonerar o governador do Banco de Moçambique das suas funções.
Apesar de se encontrar no fim do seu mandato de 10 anos, iniciado em 2016 e com término previsto para Setembro, Rogério Zandamela continua a exercer as funções de governador do Banco Central.
Quanto à questão remuneratória dos gestores e administradores do Banco Central, o responsável afirmou não ter alterado a estrutura salarial durante o seu mandato, sustentando que o actual modelo remuneratório foi implementado pela administração anterior.
“Eu não mudei a estrutura salarial. Encontrei-a como está, desde os anteriores governadores. A modalidade é essa. Parece que agora, que estou de saída, virou problema. Um mês antes de terminar o meu mandato, parece que há um problema com a estrutura salarial”, disse.
O responsável esclareceu ainda que os salários dos funcionários do Banco de Moçambique são pagos com receitas próprias da instituição, não representando encargos para o Orçamento do Estado.
“O orçamento do Banco é o orçamento do Banco, não se mistura com o orçamento do Estado. Não pensem que, porque se paga o que se paga, é porque se retiram recursos do Estado. Existe um acordo colectivo para os funcionários bancários e o Banco é signatário desse acordo, que inclui a Associação Moçambicana de Bancos e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sistema Financeiro, onde, anualmente, se discutem os reajustes salariais. E foi assim todos os anos, antes de eu chegar”, explicou.
As declarações do governador do Banco Central surgem numa altura em que a instituição encerrou o exercício de 2025 com um prejuízo de 13,34 mil milhões de meticais.
No ano passado, por exemplo, o Banco de Moçambique desembolsou 300,9 milhões de meticais em salários e regalias destinados aos administradores da instituição.
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Avaliação do Polígrafo África:


