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Governo angolano protestou contra a detenção de Nicolás Maduro pelos EUA?

Política
O que está em causa?
A detenção do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ocorrida no dia 3 deste mês por forças de elite norte-americanas, continua a ser destaque na imprensa internacional e constitui, neste momento, um dos temas mais debatidos nas redes sociais. O Executivo liderado por João Lourenço tem sido apontado como tendo criticado publicamente a decisão. Confirma-se?

A operação norte-americana que resultou na captura de Nicolás Maduro, que governa a Venezuela desde 2013, está a gerar reacções contraditórias: enquanto uns aplaudem a iniciativa dos Estados Unidos da América (EUA), outros condenam-na veementemente.

Os críticos da decisão de Washington de intervir em capitais estrangeiras e capturar chefes de Estado, como aconteceu com Saddam Hussein, no Iraque, em 2003, fundamentam as suas posições na necessidade de respeitar os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, nomeadamente o respeito pela integridade territorial dos Estados.

Por outro lado, os que defendem a operação conjunta de inteligência e militar justificam-na com alegadas violações dos direitos humanos atribuídas a Nicolás Maduro.

As reacções divergentes fazem-se sentir em várias partes do mundo. No seio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), por exemplo, o Brasil condenou a invasão e a captura de Maduro, enquanto em Portugal o Governo mantém uma posição pouco clara.

A maioria dos partidos da esquerda portuguesa repudia a acção norte-americana, ao passo que o Chega, partido da direita, através do seu presidente André Ventura, manifestou satisfação com a operação.

Nas redes sociais, as posições são igualmente contraditórias.

Na sua página oficial no Facebook, o presidente da UNITA, maior partido da oposição angolana, Adalberto Costa Júnior, não manifestou qualquer solidariedade para com Nicolás Maduro. Pelo contrário, referiu que o líder venezuelano se manteve no poder “através de práticas reiteradamente anticonstitucionais” e questionou qual será a posição do Governo angolano, a quem, noutra publicação, classificou como “apoiante incondicional de Maduro”.

Em reacção, alguns internautas criticaram Adalberto Costa Júnior, sublinhando que, enquanto intelectual e aspirante ao poder, deveria evitar apoiar violações do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas.

Outros questionaram o alegado silêncio de Angola, enquanto alguns afirmaram que o país já teria criticado os EUA e o Presidente norte-americano, Donald Trump. Segundo essas alegações, o Presidente João Lourenço teria afirmado: “Trump tem 24 horas para devolver Maduro à Presidência da Venezuela; caso contrário, irei desestabilizar os Estados Unidos da América.”

Mas será verdade que Angola já reagiu à intervenção militar, condenando Washington?

Antes de responder à questão, importa sublinhar que Angola tem sido, tradicionalmente, um país amigo e parceiro do regime venezuelano.

Em 2019, quando o mundo ocidental pressionava vários países a reconhecer Juan Guaidó como Presidente legítimo da Venezuela, em detrimento de Nicolás Maduro, Angola deixou claro que não tinha “razões para deixar de reconhecer o Governo” de Maduro, a quem classificou como “legítimo e eleito”.

“Obviamente que o Estado angolano não tem razões para deixar de reconhecer o Governo da Venezuela. É um governo legítimo e eleito e é com ele que mantemos relações diplomáticas. No que diz respeito à crise na Venezuela, Angola pugna pelo diálogo e parece que esta posição é a que vai prevalecer. Com as últimas informações e sinais, tudo indica que não há outra saída senão o diálogo”, afirmou então Manuel Augusto, à época ministro das Relações Exteriores.

Apesar desse apoio manifestado no passado, até ao momento não há registo de uma reacção oficial de Luanda à crise que opõe Caracas e Washington.

Decorridas mais de 40 horas após a captura de Nicolás Maduro por forças de elite norte-americanas, não foi divulgado qualquer comunicado ou nota oficial por parte do Governo angolano.

As únicas referências associadas ao Presidente João Lourenço neste dossiê surgem num comunicado da União Africana (UA), organização actualmente liderada pelo estadista angolano.

No documento, a UA não expressa uma condenação explícita da situação, limitando-se a apelar ao diálogo e a reafirmar o seu compromisso com os princípios da Carta das Nações Unidas.

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Avaliação do Polígrafo África:

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