A intenção foi tornada pública pelo seu advogado-conselheiro, Said Sarifou, que recordou que Fernando Dias da Costa contou, durante o processo eleitoral, com o apoio de Domingos Simões Pereira, impedido de participar no sufrágio.
Segundo o causídico, Dias da Costa “permanece o único depositário da legitimidade nacional” e “tenciona assumir definitivamente as suas responsabilidades como Chefe de Estado”.
A actual indefinição política em Bissau resulta de um golpe de Estado contra o então Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, episódio que, entretanto, tem sido descrito por vários analistas como encenado. Embaló foi rapidamente restituído à liberdade e abandonou o país.
Em contraste, vários políticos da oposição, detidos na sequência do golpe, continuam privados de liberdade. Associações cívicas denunciam alegados maus-tratos a que estes estariam sujeitos.
O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Bubacar Turé, afirmou, segundo o jornal O Democrata, esta segunda-feira, dia 22, que as condições de detenção são “cruéis, desumanas, degradantes, chocantes e indignas de um Estado que se pretende civilizado”.
De acordo com Turé, “as celas não dispõem de energia eléctrica, não há água potável e a ventilação é praticamente inexistente”, situação que viola as regras mínimas para o tratamento de reclusos.
O jurista e activista social fez estas declarações durante uma vigília realizada na Casa dos Direitos, em Bissau. Além da LGDH, a iniciativa contou com a participação de outras organizações de defesa dos direitos humanos e de dirigentes de formações políticas, que exigem a libertação dos cidadãos detidos na sequência do golpe de Estado de 26 de Novembro.


