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Instabilidade. Presidente João Lourenço exorta Governos da RDC e do Ruanda a respeitarem acordo

Política
O que está em causa?
O Presidente da República de Angola emitiu um comunicado no qual exorta os Executivos da República Democrática do Congo (RDC) e do Ruanda a respeitarem os acordos assinados entre si, destinados a restabelecer a paz e a segurança em Kinshasa, cujas populações têm sido vítimas de ataques mortais do grupo armado M23.

A posição de João Lourenço foi divulgada há instantes na página oficial da Presidência da República no Facebook, após um encontro de trabalho com o seu homólogo da RDC, Félix Tshisekedi, que se deslocou a Angola em busca de apoio.

“[O Presidente] constata, com a mais viva preocupação, as consequências e as ameaças que decorrem da situação referida, que põem em causa os esforços incansáveis e significativos desenvolvidos no âmbito do Conselho de Segurança das Nações Unidas, com destaque para a Resolução 2173, bem como nos processos de Washington e de Doha. Considera, sem reservas, que tais esforços constituem a única via capaz de reduzir a tensão persistente entre a RDC e o Ruanda e de promover o entendimento entre ambos os países”, lê-se no comunicado.

Importa referir que esta é a terceira visita do Presidente da RDC a Angola num intervalo de um mês, desde a assinatura do acordo de paz com o seu homólogo ruandês, Paul Kagame, em Washington.

Os dois Chefes de Estado rubricaram o acordo a 4 de Dezembro, num acto mediado por Donald Trump, que considerou o dia um marco positivo para África. Contudo, em contradição com as expectativas, nos dias seguintes o Movimento 23 de Março (M23), alegadamente apoiado financeira e militarmente pelo Ruanda, realizou ataques em várias cidades congolesas, tomando várias vilas.

Para fazer face à ameaça, Tshisekedi deslocou-se a Angola a 14 de Dezembro do ano passado, onde explicou a situação e procurou apoio. No início desta semana, precisamente na segunda-feira, dia 5, o Presidente congolês voltou a Angola. À saída do encontro com João Lourenço, declarou aos jornalistas que o estadista angolano lhe apresentou “propostas muito interessantes”.

O povo congolês e muitos outros africanos tinham mostrado optimismo quanto ao acordo assinado entre os Presidentes da RDC e do Ruanda, dado que, ao contrário do passado, o pacto foi mediado pelos Estados Unidos da América. No entanto, os confrontos continuam no terreno e, segundo notícia do Expansão, independentemente das violações registadas, Kinshasa deverá cumprir a garantia dada a Washington relativa à exploração de recursos.

De acordo com a matéria, a RDC tem, a contar da data da assinatura do acordo de paz, 30 dias para apresentar aos EUA “uma lista inicial de activos minerais críticos, activos auríferos e áreas de exploração não licenciadas como parte da Reserva de Activos Estratégicos”, bem como uma lista de “projectos estratégicos” a implementar com “participação de pessoas dos EUA” e alinhados com direito de preferência.

 

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