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Isabel dos Santos e outras figuras públicas reagem aos incidentes durante a greve dos taxistas

Sociedade
O que está em causa?
Várias figuras nacionais, instituições partidárias e órgãos governamentais, bem como representações diplomáticas, reagiram aos incidentes registados na segunda-feira, 28 de Julho, na sequência da greve de três dias convocada pela Associação Nacional dos Taxistas de Angola (ANATA).

Entre as personalidades que se manifestaram destaca-se a empresária Isabel dos Santos, filha do antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos. A partir do seu perfil no Instagram, Isabel dos Santos partilhou diversos vídeos captados durante a jornada de greve, acompanhados por legendas em português e inglês.

Num dos excertos, Isabel dos Santos critica o silêncio ou a cobertura considerada superficial por parte da imprensa portuguesa — em particular da SIC Notícias, CNN Portugal e RTP. Noutro momento, questiona a relevância da atribuição do Prémio Leão de Ouro à Sonangol na FILDA, alegando que, enquanto os combustíveis continuam a subir, os salários mantêm-se estagnados.

Refugiada nos Emirados Árabes Unidos, após ser alvo de processos judiciais instaurados pelo Ministério Público angolano, a empresária publicou ainda vídeos em que populares relatam a ocorrência de mortes por disparos da polícia, incluindo o caso de um jovem alegadamente alvejado no rosto.

Também o humorista Gilmário Vemba reagiu, criticando os que se insurgiram contra os manifestantes devido à destruição de bens públicos e privados. Vemba classificou como verdadeiro vandalismo a má governação, em vez das acções de protesto populares.

Por sua vez, Eva Rapdiva, nome artístico de Eva Cruzeiro — deputada luso-angolana eleita pelo Partido Socialista nas últimas legislativas portuguesas — manifestou empatia pela situação vivida pelo povo, mas apelou à calma e moderação.

A actriz e apresentadora Vanda Pedro também se pronunciou. Num post nas redes sociais, confessou sentir “medo da fome”. Reconheceu a existência de destruições e saques, mas justificou-os com a fome e outras dificuldades. Sublinhou que não incita ao caos, mas sim à escuta, à humanidade e à empatia face ao clamor popular.

MININT e partidos políticos divididos entre condenações e apelos à escuta popular

O Ministério do Interior (MININT) classificou os incidentes ocorridos em Luanda como “acções criminosas”, considerando que “representam um ataque ao Estado democrático e de direito”.

“São actos premeditados de sabotagem e intimidação que não serão, em circunstância alguma, tolerados, pelo que as autoridades estão a tomar todas as medidas necessárias para assegurar a ordem e a tranquilidade públicas, bem como para identificar, responsabilizar e levar à justiça os mandantes e executores destes actos deploráveis”, declarou o ministério, num tom firme.

A Embaixada de Portugal em Angola informou estar a acompanhar a situação de segurança em Luanda, mantendo contacto com as autoridades angolanas e os parceiros da União Europeia. A missão diplomática recomendou prudência e vigilância aos cidadãos portugueses, sugerindo evitar deslocações desnecessárias.

O Bureau Político do MPLA, partido no poder, condenou veementemente os actos de vandalismo registados em vários pontos da capital, que terão causado “enormes prejuízos materiais ao Estado, às famílias e às empresas”. Acrescentou que tais actos comprometem a segurança, a ordem pública e o bem-estar da população, e que têm como objectivo perturbar as celebrações dos 50 anos da Independência Nacional. O partido apelou à juventude para que não se deixe instrumentalizar.

A UNITA, por intermédio do seu presidente, Adalberto Costa Júnior, apelou à responsabilidade por parte dos manifestantes, mas também das forças de segurança e do Executivo. Para o líder da oposição, o Governo “perde a autoridade moral quando ignora os apelos do seu povo e responde com arrogância e repressão”.

Lembrando que o direito à manifestação é consagrado na Constituição, Adalberto Costa Júnior sublinhou que este direito envolve “responsabilidade mútua”, advertindo que o uso de balas reais contra manifestantes é inadmissível num Estado que se diz democrático, existindo métodos não-letais de controlo de multidões.

O Comité Nacional do PRA-JA Servir Angola, liderado por Abel Chivukuvuku, também se posicionou ao lado dos manifestantes, responsabilizando o Executivo pela actual situação do país.
“No entender do PRA-JA, o Governo é o principal responsável pelo contexto actual vivido em Angola, e particularmente em Luanda, em resultado de uma governação sem propósito, marcada pela negligência, falta de transparência e, sobretudo, pela ausência de sensibilidade face às condições de vida da população”, lê-se no comunicado do partido.

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