“Há pessoas desinformadas. Até ao momento, o Governo não devolveu os bens da UNITA, não por culpa de Adalberto Costa Júnior, mas porque o Presidente João Lourenço entende que a UNITA destruiu muitos bens públicos. Ele deixou claro que só devolverá as infraestruturas do partido quando este restituir o património nacional destruído durante a guerra”, lê-se numa mensagem que circula na rede social WhatsApp.
A polémica surge num contexto em que, no Facebook, se multiplica uma denúncia contra Adalberto Costa Júnior, acusando-o de não cumprir as promessas feitas durante o XIII Congresso Ordinário da UNITA, que o elegeu presidente. A crítica aponta-lhe responsabilidade pelo facto de o Executivo não ter concluído o processo de devolução dos bens do partido.
A acusação partiu de Filipe Mendonça, militante expulso da UNITA em 2022 por integrar o grupo que avançou com o processo judicial que levou o Tribunal Constitucional a anular o congresso da UNITA realizado em 2019.
Importa lembrar que o tema da devolução do património da UNITA não é novo. Segundo cálculos avançados pelo general Kamalata Numa, em 2020, os bens em causa estariam avaliados em cerca de 200 milhões de dólares.
Mas terá João Lourenço alguma vez condicionado publicamente a devolução do património da UNITA à reposição dos bens destruídos durante a guerra?
A resposta é sim. Num comício realizado em Julho de 2022, na província do Cuanza-Sul, durante a pré-campanha eleitoral, João Lourenço, na qualidade de cabeça de lista do MPLA, fez um pronunciamento nesse sentido. No discurso, criticou também altos dirigentes da UNITA por não terem participado nas cerimónias fúnebres de José Eduardo dos Santos, ex-Presidente da República, que, segundo Lourenço, “salvou a vida” de muitos desses líderes da oposição.
“Aquilo que destruíram, o Governo do MPLA construiu. Mas sabem o cúmulo do descaramento? Escreveram ao Presidente da República a pedir a devolução do património deles. E quem vai devolver ao povo angolano o património por eles destruído? Entendam a gravidade do pedido… Então, estão no direito de pedir que lhes devolvamos os seus bens, mas nós também estamos no direito de exigir a devolução de todo o património, de Cabinda ao Cunene, que destruíram. Vamos fazer um acordo: devolvemos o património deles — que deve ser pouca coisinha, não vale nenhum – com a condição de eles devolverem o património nacional que destruíram”, afirmou João Lourenço, arrancando fortes aplausos dos militantes e simpatizantes presentes no acto.
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Avaliação do Polígrafo África:





