A visita oficial ocorre numa altura em que os Presidentes do Ruanda e da República Democrática do Congo (RDC), Paul Kagame e Félix Tshisekedi, respectivamente, também viajaram para Washington, com o objectivo de celebrar um acordo de paz mediado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
Importa referir que o Ruanda e a RDC não estão directamente em guerra. A RDC encontra-se em confronto aberto com o grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23) e acusa o Ruanda de apoiar a organização com meios financeiros, treino e efectivos no terreno.
As conclusões de Kinshasa, obtidas através de operações de inteligência, foram igualmente partilhadas por Angola que, por intermédio do Presidente João Lourenço, então mediador do conflito, exigiu, em Janeiro deste ano, a retirada das tropas ruandesas do território congolês.
Em 2024, peritos das Nações Unidas denunciaram, num relatório, a presença de entre três e quatro mil militares ruandeses em solo congolês, a combater ao lado do M23.
Enquanto mediador, João Lourenço alcançou alguns avanços, mas optou por descontinuar a sua intervenção para se concentrar em prioridades mais amplas no âmbito da União Africana (UA). A decisão foi tomada pouco depois de a União Europeia ter aprovado um projecto de sanções que interditava viagens a líderes do M23, apenas 24 horas antes da data em que estes deveriam deslocar-se a Luanda, onde eram esperados para uma cimeira com as autoridades congolesas sob mediação angolana.
Apesar de, em Julho último, os Estados Unidos terem anunciado a assinatura de um acordo de paz entre a RDC e o Ruanda, as hostilidades prosseguem. O M23, alegadamente sob orientação de Kigali, continua a ocupar diversas regiões na RDC.
Ainda na terça-feira, 2 de Dezembro, surgiram informações de que o grupo rebelde terá levado a cabo, com recurso a armamento pesado, vários ataques em zonas como Kamanyola, Katogota, Nyangezi e Kaziba.

