Depois de um aumento de 50% no preço do gasóleo em Março deste ano — de 200 para 300 kwanzas por litro —, o Executivo angolano abriu o terceiro trimestre de 2025 com uma nova actualização, fixando o preço em 400 kwanzas, segundo o Instituto Regulador dos Derivados do Petróleo (IRDP).
A medida, que deverá ter impacto no custo de vida, domina os principais fóruns de debate, as manchetes dos órgãos de comunicação social e as redes sociais.
Entre as vozes críticas está a de Nelito Ekuikui, deputado da UNITA e líder da JURA. O político, que em 2022 liderou a primeira vitória eleitoral do “galo negro” em Luanda contra o MPLA, classificou o aumento do preço do gasóleo como “paradoxal” face a uma suposta promessa do Presidente da República.
“Prometeu baixar o preço dos derivados do petróleo. Quase três anos depois, aumentou-os. Como se chama isso? Compromisso ou contradição?”, questionou o deputado nas redes sociais.
Esta não é a primeira vez que Ekuikui critica as sucessivas mexidas nos preços dos combustíveis. Já em Março de 2025, aquando do anterior aumento, o líder da JURA acusou João Lourenço de falhar com a promessa de reduzir os preços.
“Na campanha eleitoral de 2022, o então candidato do partido no poder, João Lourenço, prometeu que a refinaria de Luanda iria quadruplicar a produção de gasolina, o que permitiria, consequentemente, reduzir o preço dos derivados do petróleo”, afirmou na altura.
Mas será verdade que João Lourenço prometeu baixar o preço dos combustíveis?
Os factos conhecidos não confirmam a versão do deputado da UNITA. Em Abril de 2022, durante um comício no Huambo, João Lourenço, na qualidade de presidente do MPLA, referiu que o aumento da capacidade de produção da Refinaria de Luanda poderia levar a uma descida dos preços da gasolina.
Segundo a Agência Lusa, Lourenço declarou: “Em Junho, a refinaria de Luanda vai passar a produzir quatro vezes mais gasolina, um aumento de oferta que pode significar uma descida dos preços a partir de Junho ou Julho.”
Contudo, a realidade acabou por ser outra. Em Junho de 2023, o Governo angolano iniciou o processo de retirada gradual dos subsídios aos combustíveis, elevando o preço da gasolina de 160 para 300 kwanzas por litro.
Esta decisão provocou uma onda de protestos em várias províncias do país, sobretudo entre taxistas e mototaxistas. No Huambo, os confrontos resultaram na morte de várias pessoas.
________________________________________
Avaliação do Polígrafo África:



