De acordo com a página de Facebook da Presidência da República, o Chefe de Estado angolano desembarcou em Lisboa na tarde de domingo, 8, depois de ter deixado Luanda na manhã do mesmo dia.
Entretanto, horas antes de o Presidente angolano aterrar na capital portuguesa, o Chega, actual maior partido da oposição naquele país europeu, afixou, nas proximidades da Assembleia da República, um dístico de grandes dimensões com os rostos dos Chefes de Estado de Angola e do Brasil, no qual aponta a corrupção como uma das razões para as dificuldades sociais vividas nos dois países.
Importa referir que, durante a campanha para a eleição do novo Presidente em Portugal, André Ventura posicionou-se contra os actuais regimes de Angola e do Brasil, atribuindo-lhes rótulos pejorativos.
A postura de Ventura dividiu opiniões, quer em Angola quer em Portugal, tendo alguns sectores vaticinado uma quebra nas relações entre Luanda e Lisboa.
Entretanto, as relações mantiveram-se intactas. Na cerimónia de investidura, António José Seguro sinalizou a forte e fraternal relação entre os dois Estados ao manter, diante de todos os presentes, uma conversa prolongada com o homólogo angolano, enquanto com outros Chefes de Estado se limitou a saudá-los.
Relação comercial
Economistas e empresários consideram que Angola e Portugal mantêm uma relação comercial sólida, com vantagens para Portugal. Esse dado tem sido usado para alertar a corrente portuguesa crítica em relação ao regime angolano para os riscos de uma eventual ruptura nas relações com Angola.
Actualmente, operam em Angola cerca de 1.200 empresas portuguesas, além de outras centenas dedicadas à exportação para o país.
A balança comercial de 2025 indica que Portugal exportou para Angola 2,5 mil milhões de euros, enquanto, em sentido inverso, adquiriu produtos no valor de apenas 700 milhões de euros.
Em termos de imigração, regista-se também um número mais elevado de portugueses a residir em Angola, ultrapassando os 111 mil, contra cerca de 92 mil angolanos em Portugal.


