A publicação, partilhada desde 1 de Julho na rede social Facebook, afirma: “Ex-Presidente Joaquim Chissano diz que o caos na África do Sul é culpa de quem foi ‘ilegal’. Mesma linha do Governo.”
Mas confirma-se que Chissano fez realmente esta declaração?
Não. Não há qualquer registo de que Joaquim Chissano tenha afirmado que “o caos na África do Sul é culpa de quem foi ilegal”.
A frase que circula nas redes sociais não consta das declarações prestadas pelo antigo estadista à imprensa na última semana. Questionado sobre a situação dos moçambicanos na África do Sul, Chissano defendeu a regularização dos imigrantes e o cumprimento das leis migratórias.
Na sua intervenção, o antigo Presidente começou por fazer um diagnóstico da situação.
“Das informações que eu tenho e daquilo que observei, foram feitos esforços para dialogar com o Governo sul-africano, para ver o que é preciso fazer, e chegou-se à conclusão de que o que é preciso é normalizar aquilo que está anormal. Portanto, os moçambicanos que estão em situação anormal na África do Sul deviam regressar, assim como outras nacionalidades.”
Entretanto, Chissano defendeu que a mesma regra deve aplicar-se a todos os países e citou a posição do Governo sul-africano: “E o Governo sul-africano disse que aqueles que estiverem legalizados e entrarem conforme as regras são bem-vindos. Eu creio que, em Moçambique, estamos a praticar isso também: são bem-vindos aqueles imigrantes que vêm de uma forma legal. Já ouvi muitas vezes falar de somalianos, etíopes e outros a serem repatriados nas fronteiras. Nós também estamos a dizer a mesma coisa: aqueles que querem viver e trabalhar em Moçambique devem normalizar a sua situação em conformidade com as leis moçambicanas. E não podemos dizer o contrário àqueles que querem ir para outros países, como a África do Sul.”
Por fim, o antigo estadista dirigiu-se aos moçambicanos que pretendem emigrar, apelando a que o façam de forma legal.
“Portanto, eu posso aconselhar os moçambicanos que realmente pensam em recomeçar as suas vidas, mesmo que tenham de voltar à África do Sul, a fazê-lo legalizados. O Estado está pronto para ajudar.”
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Avaliação do Polígrafo África



