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Jonas Savimbi morreu com 15 tiros, como se disse nas celebrações do seu 92.º aniversário?

Política
O que está em causa?
O líder fundador da UNITA, Jonas Malheiro Savimbi, a quem o partido atribui a idealização de um Estado democrático para Angola, completaria, nesta segunda-feira, 3 de Agosto, caso ainda estivesse vivo, 92 anos de idade. A organização política que criou assinala a data com a realização de diversas actividades culturais, debates e dissertações. Lukamba Paulo Gato, general na reforma e seu antigo director de Gabinete, partilhou alguns dos momentos que viveu ao lado de Jonas Savimbi e rejeitou a perspectiva, quase generalizada, de que este tenha morrido em combate, sublinhando que Savimbi foi alvo de um “fuzilamento” com 15 tiros. Será verdade?

“Não sou muito apologista dessa narrativa da morte em combate, até porque todos ouvimos alguém dizer que o presidente fundador morreu com 15 tiros. Não era necessário. Um tiro é suficiente para um homem. Quinze tiros não são combate, foi fuzilamento à queima-roupa”, desabafou o também antigo deputado à Assembleia Nacional, Lukamba Paulo Gato.

O general, que, aquando da morte de Jonas Savimbi, ocupava o cargo de secretário-geral da UNITA, descreveu o líder fundador do partido como um “patriota, revolucionário e um intelectual de rara estatura”, que usou fardamento militar e empunhou uma arma por imposição do contexto.

Enquanto rememorava os vários momentos vividos, Lukamba Paulo Gato recordou que o dia-a-dia de trabalho no Gabinete de Jonas Savimbi decorria ao som de música clássica, apesar das exigências sociais, políticas e militares da época, tendo partilhado com os presentes o estilo musical que mais se ouvia na ocasião.

Contou igualmente que, a dado momento, após a proclamação da independência, o MPLA, alegadamente apoiado pela União Soviética, por cubanos, guineenses de Conacri, nigerianos, congoleses de Brazzaville e catangueses, estes últimos naturais do então Zaíre, actual República Democrática do Congo, e que se encontravam em posição antagónica relativamente ao então Presidente Mobutu Sese Seko, realizou uma ofensiva terrestre de perseguição à direcção da UNITA, que se prolongou durante vários meses.

Na sequência da superioridade militar demonstrada, o MPLA, que já governava o país, precisava, de acordo com as explicações do general Gato, de demonstrar ao mundo que a situação em Angola estava controlada e que os negócios poderiam funcionar sem interrupções. Para o efeito, promoveu a circulação de um comboio no Corredor do Lobito, que ficou conhecido como o “comboio da vitória”.

Entretanto, na posse dessa informação, Jonas Savimbi, ciente do significado que teria para a comunidade internacional caso o comboio circulasse livremente, bem como das consequências de uma eventual interrupção do tráfego, orientou os seus homens para que fizessem tudo ao seu alcance para impedir que o “comboio da vitória” cumprisse o trajecto.

Segundo um documento lido por Lukamba Gato, Jonas Savimbi orientava, nas suas próprias palavras, o seguinte: “Camarada Chendovava Kandjundo Econgo Lyohombo e Vindes, partirá de Katanga o comboio baptizado pelo MPLA e alguns países ocidentais de comboio da vitória. Se esse comboio passar o vosso território e atingir o Lobito, vocês deverão escolher se ficam do lado da história ou se ficam do lado da traição. Mantenham-me informado de todo o vosso plano de ataque ao longo do Caminho-de-Ferro de Benguela”, tendo assinado a ordem com o nome Jaguar Negro dos Jagas.

Segundo Lukamba Gato, foram usados todos os meios e o comboio não passou, o que levou, alegadamente, a comunidade internacional a mobilizar-se no sentido de se inteirar melhor da realidade angolana e de encetar contactos com as partes.

Mas será verdade que Jonas Savimbi morreu alvo de 15 tiros?

Os dados publicados em diferentes jornais indicam que sim. Por exemplo, uma matéria do jornal português Público, intitulada “Jornalistas confirmam morte de Savimbi”, publicada a 23 de Fevereiro de 2002, um dia após a morte do líder da UNITA, refere que, inclusive jornalistas, confirmaram que Jonas Savimbi tombou com 15 balas, duas das quais na cabeça.

O Jornal Económico, em 2017, numa matéria que assinalou os 15 anos da morte do líder guerrilheiro, reforçou a informação de que o fundador do maior partido da oposição foi alvo de 15 tiros.

Também o Novo Jornal aponta o mesmo número numa notícia referente à publicação, em 2024, do livro sobre Jonas Savimbi, da autoria de Xavier Figueiredo e Rúben Sicato.

Contudo, à Televisão Pública de Angola, o general Geraldo Sachipengo Nunda, antigo Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Angolanas (FAA), que esteve directamente envolvido na operação que culminou com a morte de Jonas Savimbi, apresentou números imprecisos sobre a quantidade de disparos que atingiram Savimbi. Falou em “mais de 15”, sem demonstrar segurança quanto ao número exacto. Ainda assim, uma ideia ficou clara nas suas declarações: não terão sido menos de 15 tiros.

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Avaliação do Polígrafo África:

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