“O potencial turístico que Angola tem é único. O país é abençoado neste aspecto, desde o clima às espécies animais raras, algumas das quais só existem em Angola. Temos o deserto mais antigo do mundo, temos a maior zona de conservação transfronteiriça do mundo, temos a Palanca Negra Gigante, a Welwitschia mirabilis”, destacou, entusiasmado, o chefe da Coordenação Económica angolana, José de Lima Massano, em Lisboa, durante a sua participação na “Conferência Radar África”, organizada pelo Jornal de Negócios.
Apesar do potencial apresentado, José de Lima Massano admitiu que o turismo continua abaixo do esperado, representando menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB).
Falando diante de uma plateia repleta de empresários, sobretudo portugueses, o governante sinalizou ainda a necessidade de o país reforçar a segurança alimentar, referindo que “gostaria de ver mais capital envolvido”, na medida em que há uma “mão-cheia de produtos” em que Angola continua dependente das importações.
Apontou também a existência de “vastas áreas para produção”, destacando que o país dispõe de “terras aráveis, água, energia barata e uma população jovem, maioritariamente com menos de 25 anos”.
Mas será verdade que Angola tem o deserto mais antigo do mundo e a maior zona de conservação transfronteiriça do planeta?
Os dados indicam que sim. De acordo com diversas reportagens, incluindo uma da BBC, o deserto do Namibe, formado por dunas de areia, montanhas escarpadas e planícies de cascalho, possui cerca de 81 mil quilómetros quadrados e estende-se por Angola, Namíbia e África do Sul. Este deserto existe há cerca de 55 milhões de anos.
Já o deserto do Saara, o maior do mundo, com cerca de 9 milhões de quilómetros quadrados, terá entre dois e sete milhões de anos.
Assim, tal como referiu José de Lima Massano, o Namibe é considerado o deserto mais antigo do mundo. Angola partilha também a maior zona de conservação transfronteiriça do planeta: a Área de Conservação Transfronteiriça Kavango-Zambeze (KAZA).
Esta área, projectada como destino turístico internacional, é partilhada por cinco países: Angola, Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabué.
De acordo com relatórios sobre a região, também conhecida como a “Grande Rota de Observação de Aves Kavango-Zambeze”, o projecto liga 12 áreas-chave para a observação de aves, seguindo antigos corredores migratórios que acompanham importantes cursos de água — os sistemas fluviais Kavango, Zambeze, Chobe, Kwando e Kafue — que sustentam tanto as populações de aves residentes como as migratórias.
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Avaliação do Polígrafo África:

