Entre as razões apontadas para a queda do resultado líquido, a empresa refere a “instabilidade no mercado de comercialização de diamantes brutos”, apesar do aumento do volume de vendas.
Além do recuo nos lucros, as demonstrações financeiras revelam que o resultado operacional caiu 45%, passando de 39 milhões USD em 2023 para 21,3 milhões USD em 2024. Segundo a SODIAM, esta redução ficou a dever-se à descida dos preços de venda dos diamantes brutos no mercado internacional, combinada com custos acrescidos no âmbito da responsabilidade social, sobretudo em despesas nas regiões produtoras.
Em contraciclo, os activos da SODIAM registaram um crescimento de 18%, de 386,1 mil milhões Kz em 2023 para 457,5 mil milhões Kz em 2024. O capital próprio também aumentou 20%, atingindo 231,6 mil milhões Kz, contra 192,7 mil milhões no exercício anterior.
Auditor emite reservas às contas
A Ernst & Young (EY) Angola, responsável pela auditoria das contas da diamantífera em 2024, emitiu reservas relevantes. Entre os pontos críticos identificados, destaca-se a ausência de evidências sobre a possibilidade de recuperação do montante aplicado na empresa Victoria Holding Limited.
O auditor assinalou ainda dúvidas na rubrica “Resultados financeiros”, relativa a ganhos cambiais líquidos de 12,5 mil milhões Kz, considerando que a informação disponibilizada “não é suficiente para concluir acerca da adequação da sua quantificação e apresentação, nem em que medida os efeitos reconhecidos no exercício de 2024 poderiam afectar o saldo de abertura de ‘Resultados transitados’ e a comparabilidade entre exercícios”.
Outra reserva foi registada na rubrica “Contas a Pagar – Estado”, que incluía saldos líquidos no montante de 12,67 mil milhões Kz. O auditor verificou que esses valores eram inferiores aos pagamentos efectuados após a data do balanço (2,01 mil milhões Kz), sem que tivessem sido fornecidas as devidas conciliações ou justificações.
Face à ausência de elementos que permitissem determinar uma eventual provisão para outros riscos e encargos, bem como pela falta de esclarecimentos relativamente às divergências nas contas a pagar ao Estado, a EY concluiu não estar em condições de validar plenamente o impacto destas matérias nas demonstrações financeiras da SODIAM.



