As declarações em causa foram proferidas após o Presidente da República, João Lourenço, ter inaugurado o Hospital Maria Tonha “Pedalé”. Aliás, este foi um dos temas em debate na Rádio Essencial, onde os especialistas analisaram os investimentos realizados em infra-estruturas hospitalares e na gestão das unidades de saúde.
Na sua intervenção, Bernardino considerou que, nos últimos anos, a política de investimento tem estado demasiado centrada na construção de grandes hospitais, relegando para segundo plano os serviços de base, como centros e postos de saúde.
“Uma pessoa na comunidade que sofre de hipertensão ou diabetes não tem qualquer protecção. O doente crónico é obrigado a pagar, do seu próprio bolso, os medicamentos durante toda a vida. E se quiser monitorizar a sua glicemia ou a tensão arterial, muitas vezes – quase sempre, eu diria – tem de recorrer a clínicas privadas ou a amigos”, lamentou o médico, defendendo uma aposta mais consistente na saúde preventiva, em detrimento da saúde reactiva.
É verdade que Angola já foi declarada livre da poliomielite, como afirmou Bernardino?
A resposta é sim. Em 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) certificou Angola como país livre da poliomielite, depois de vários anos sem registo de casos da doença.
Contudo, volvidos cerca de 10 anos, o país voltou a detectar casos positivos de poliovírus, com a confirmação de 19 novas infecções nas províncias de Benguela, Huambo, Cuando Cubango e Cuanza Norte. Em resposta, o Governo lançou este ano uma campanha nacional de vacinação que visa imunizar cerca de sete milhões de crianças contra a poliomielite.
A poliomielite, também conhecida por paralisia infantil, é uma doença grave que pode causar paralisia irreversível. É transmitida sobretudo em países em desenvolvimento, através de água contaminada por fezes humanas, e afecta principalmente crianças com menos de cinco anos.
_____________________________________
Avaliação do Polígrafo África:


