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Mais de 50 ex-guerrilheiros da Renamo foram detidos pela Unidade de Intervenção Rápida?

Política
O que está em causa?
Publicações partilhadas nas redes sociais alegam que antigos guerrilheiros da Renamo, que se encontravam acampados na sede nacional e no gabinete de Ossufo Momade, em Maputo, foram detidos pela polícia na manhã de quarta-feira. Confirma-se?

“Mais de 50 antigos guerrilheiros da Renamo foram presos pela UIR [Unidade de Intervenção Rápida] depois de tomarem a sede do partido e o gabinete de Ossufo Momade”, lê-se numa publicação datada de 28 de Maio.

Na caixa de comentários, alguns internautas questionam os meios utilizados pela polícia durante a alegada detenção do grupo.  “Quantas Mahindras foram usadas para levar essas pessoas até à esquadra?”, questionou um utilizador. “Usaram um autocarro”, respondeu outro internauta.

Mas será verdade que a polícia deteve mais de 50 ex-guerrilheiros da Renamo?

Sim. Em conferência de imprensa transmitida na página oficial do partido no Facebook, a Liga da Juventude da Renamo confirmou que antigos guerrilheiros foram detidos esta quarta-feira pela Unidade de Intervenção Rápida (UIR), na sequência da ocupação da sede nacional e do gabinete do líder do partido, Ossufo Momade.

“Se esta acção tiver sido efectuada em coordenação e concordância com as estruturas directivas do nosso partido, enquanto Liga da Juventude, colocamos aqui a nossa firme e total oposição, porque estamos convictos de que o diálogo incessante deve ser o caminho permanente para ultrapassarmos os nossos diferendos, hoje e sempre”, declarou Ivan Mazanga, presidente do braço juvenil da Renamo.

A Liga defende a convocação de uma reunião do Conselho Nacional, com o objectivo de debater os problemas internos que assolam o partido.

Também na quinta-feira (29), Venâncio Mondlane, em directo a partir da Noruega, onde participava no Oslo Freedom Forum (OFF), criticou a actuação da polícia, assim como o silêncio dos membros seniores da Renamo face ao incidente.

“Quando entrei para a Renamo, conheci alguns que diziam ser Renamo de gema. Porque nós, mais novos, não conhecíamos a Renamo verdadeira, a Renamo pura. São esses mesmos que hoje não vejo com um posicionamento firme. Não vejo neles vigor face à situação que a Renamo está a viver”, afirmou Mondlane, que acrescentou ainda que não tenciona regressar ao partido, mas sublinhou o seu direito de se manifestar em defesa do símbolo histórico da Renamo, outrora o segundo maior partido da oposição em Moçambique.

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Avaliação do Polígrafo África: 

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