O texto, partilhado no Facebook a 29 de Março, afirma: “Homens assassinam mulheres a cada dois dias em Moçambique.”
Na caixa de comentários, as reacções foram diversas. Alguns internautas manifestaram preocupação com a vulnerabilidade das mulheres, enquanto outros questionaram a veracidade e a origem dos dados apresentados.
“Será sempre assim, enquanto tivermos um ‘sistema’ medíocre e cultura/educação estrangeira”, escreveu um utilizador. Outro comentou: “Não sei qual foi o critério ou dados usados para a extração desses resultados, que deviam preocupar todos nós.” Um terceiro acrescentou: “Seria importante que esses dados viessem acompanhados de uma fonte credível.”
Mas esta informação tem fundamento?
Sim. A alegação tem base em dados oficiais e de organizações da sociedade civil.
De acordo com o Barómetro do Observatório das Mulheres, divulgado em Dezembro de 2025, pelo menos 119 mulheres foram mortas em Moçambique ao longo de 2024, na sequência de actos de violência física grave. Estes números correspondem, em média, a uma mulher assassinada a cada dois a três dias.
Dados da Procuradoria-Geral da República citados no relatório reforçam esta tendência, indicando uma frequência elevada de homicídios de mulheres, muitas vezes em contextos de violência baseada no género, incluindo casos perpetrados por parceiros íntimos ou até desconhecidos.
Segundo Quitéria Guirengane, directora executiva do Observatório das Mulheres, “os dados mostram uma estatística de uma mulher assassinada a cada dois dias, vítima de violência”, sublinhando que este cenário deve suscitar reflexão e acção por parte da sociedade.
O relatório traça um quadro preocupante de agravamento da violência extrema contra as mulheres no país, sugerindo um afastamento das metas de igualdade de género. Ainda assim, aponta alguns progressos, nomeadamente no sector da educação, onde se tem verificado uma redução das desigualdades no acesso e permanência escolar.
Avaliação do Polígrafo:



