O primeiro jornal lusófono
de Fact-Checking

Moçambique. É verdade que o Padre Novais afirmou em tribunal que recebeu ordens superiores para assassinar o Bispo Osório Citora e revelou nomes?

Sociedade
O que está em causa?
O Bispo da Diocese de Quelimane e administrador apostólico da Arquidiocese da Beira, Dom Osório Citora, foi morto a tiro na residência episcopal, em Quelimane, província da Zambézia, no Norte de Moçambique, na noite de sábado, 6 de Junho. Entretanto, circula nas redes sociais o rumor de que o Padre Adelino Novais Amado, detido pelas autoridades como um dos principais suspeitos, terá afirmado em tribunal que recebeu ordens superiores para cometer o crime. Será verdade?
DR

“Padre Novais afirma, no tribunal, ter recebido ordens para matar o Bispo Osório e revelou os nomes [dos mandantes]”, alega um texto partilhado no Facebook, a 2 de Julho.

Esta notícia é credível?”, questionou um internauta nos comentários. A resposta não tardou. Outro internauta respondeu em tom de dúvida: “Porque, às vezes, nem tudo o que recebemos no Facebook tem credibilidade.”

A informação é verdadeira ou falsa?

É falsa. Não há registo, até ao momento, de que o Padre Novais tenha afirmado em tribunal que recebeu “ordens superiores” para assassinar Dom Osório Citora ou que tenha revelado os nomes dos alegados mandantes.

Segundo as autoridades policiais da província da Zambézia, há três suspeitos detidos: o Padre Novais Amado, apontado como principal suspeito, um guarda e um jardineiro.

“Da prova indiciária até aqui coligida, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) identificou alguns cidadãos potencialmente suspeitos, repito, potencialmente suspeitos do cometimento deste crime hediondo. Aliás, havendo, por isso, até aqui três detidos, os quais foram hoje sujeitos ao primeiro interrogatório judicial, tendo sido a prisão legalizada e os arguidos mantidos sob prisão preventiva”, explicou o porta-voz do SERNIC, Domingos Barrone.

Deste modo, a alegação que circula no Facebook é falsa. Até ao momento, nem o SERNIC nem o Tribunal Judicial da Zambézia confirmaram qualquer depoimento do Padre Novais sobre alegadas “ordens superiores” ou a revelação de nomes. O processo continua sob investigação, mantendo-se os três suspeitos em prisão preventiva.

_____________________________________

Avaliação do Polígrafo África

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque