“Duas pessoas foram detidas por envolvimento num esquema de desvio de medicamentos do Hospital Central da Beira (HCB). Segurança e técnica apanhados a roubar medicamentos”, lê-se numa publicação de 6 de Outubro no Facebook.
Na caixa de comentários, multiplicam-se as reacções de internautas que exigem medidas mais duras e investigação aprofundada, argumentando que o esquema pode envolver mais pessoas.
Esta história é verdadeira?
Importa começar por recordar que, em Maio de 2025, o ministro da Saúde de Moçambique, Ussene Isse, reconheceu publicamente que o roubo de medicamentos é um problema grave nas unidades hospitalares do país.
O governante admitiu que, apesar de o Estado adquirir medicamentos em quantidade suficiente, muitos desaparecem num curto espaço de tempo, comprometendo o atendimento aos pacientes. Na ocasião, o ministro prometeu “tolerância zero” e anunciou a criação de um sistema electrónico de rastreamento, capaz de seguir os medicamentos desde a sua entrada no país até ao destino final.
Entretanto, em declarações ao Polígrafo África, o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) na província de Sofala, Alfeu Sitoe, confirmou a existência de um esquema de roubo de medicamentos no Hospital Central da Beira, envolvendo efectivamente alguns dos seus funcionários.
“No dia 25 de Setembro de 2025, um cidadão moçambicano foi detido no distrito de Machanga pelo Serviço de Investigação Criminal. Com ele foram apreendidas várias quantidades de fármacos que, após análise pelas autoridades sanitárias, se confirmou pertencerem ao Sistema Nacional de Saúde. As investigações indicam que o detido é segurança do Hospital Central da Beira e que actuava em conluio com uma técnica de farmácia afecta ao departamento de urgências da mesma unidade hospitalar”, explicou o porta-voz do SERNIC em Sofala.
Até ao início de Outubro de 2025, o país registou várias detenções de funcionários do sector da saúde por envolvimento em esquemas de furto de fármacos em diferentes unidades sanitárias. Desde Janeiro deste ano, pelo menos 15 funcionários públicos foram expulsos do aparelho do Estado por participação em casos semelhantes.
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Avaliação do Polígrafo África:


