Uma publicação feita na rede social Facebook, em formato de denúncia pública, tem o seguinte título: “É mesmo triste e dá revolta. O sofrimento é de Cabo Delgado, mas a formação vai para Maputo. Dói.”
No corpo do texto, o autor questiona a alegada ausência de jovens da província na formação que terá lugar na capital do país.
“260 jovens formados longe do projecto. E os jovens de Palma, Mueda, Muidumbe, Mocímboa da Praia, Nangade, Macomia, Quissanga, Montepuez, Balama, Ancuabe, Namuno, Meluco, Ibo, Chiúre e Pemba? Cadê eles? Ficamos tristes e cansados. Cabo Delgado merece prioridade.”
No mesmo post, o denunciante volta a questionar: “Só falam agora, depois de uma semana de protesto? O projecto é em Afungi, mas a formação é em Maputo? Cadê os filhos de Cabo Delgado?”
Será mesmo verdade que os jovens de Cabo Delgado foram excluídos da lista dos 260 que serão formados em Maputo?
Não. Não há evidência oficial de que jovens da província de Cabo Delgado tenham sido excluídos do grupo dos 260 seleccionados para o processo de formação em Maputo.
Segundo um esclarecimento do Ministério da Educação e Cultura (MEC), a formação, financiada pela TotalEnergies, num investimento de 191,5 milhões de meticais, prevê a participação de jovens de todas as províncias, incluindo Cabo Delgado.
“O programa prevê a selecção de candidatos provenientes de todas as províncias do país, incluindo Cabo Delgado. Um ano de formação teórico-prática no Instituto Industrial e Comercial da Matola, seguido de cerca de dois anos de formação em contexto de trabalho nas instalações da TotalEnergies, em Afungi, província de Cabo Delgado.”, lê-se no comunicado de imprensa enviado ao Polígrafo África.
O Ministério explica ainda que o Instituto Industrial e Comercial da Matola (IICM), em Maputo, foi o local escolhido para acolher a formação, após uma avaliação técnica.
“Essa avaliação concluiu que o Instituto Industrial e Comercial da Matola reúne, neste momento, as condições de infra-estruturas, capacidade instalada, alojamento, oficinas, laboratórios e equipamentos indispensáveis para assegurar o arranque imediato do programa, em conformidade com os padrões técnicos exigidos pela indústria do gás natural liquefeito.”
Na mesma nota, a instituição que tutela o ensino em Moçambique esclarece ainda que o memorando não contempla a construção de novas instalações na Matola e assegura que Cabo Delgado continua a beneficiar de investimentos no ensino técnico-profissional.
Actualmente, a província dispõe de 14 instituições do sector, das quais seis são públicas, e está a receber investimentos em infra-estruturas, equipamentos e formação de jovens nas áreas da electricidade, do petróleo e do gás.
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Avaliação do Polígrafo África:





